{"id":290,"date":"2019-08-15T22:56:08","date_gmt":"2019-08-15T22:56:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/?p=290"},"modified":"2019-08-15T22:56:08","modified_gmt":"2019-08-15T22:56:08","slug":"a-vida-contemplativa-na-acao-e-o-livre-arbitrio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/?p=290","title":{"rendered":"A vida contemplativa na a\u00e7\u00e3o e o livre arb\u00edtrio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 em nenhum momento, nada inativo no universo, e nenhum de n\u00f3s pode demitir-se de agir constantemente pois nada no universo \u00e9 independente das leis c\u00f3smicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tudo \u00e9 decidido pela Lei que opera o cosmos como totalidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Apesar de o universo ser impessoal, ele n\u00e3o \u00e9 separado do indiv\u00edduo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que os nossos p\u00e9s n\u00e3o se mexam, mesmo que n\u00e3o digamos uma palavra, isso n\u00e3o quer dizer que estamos inativos, pensamos ativamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta atividade n\u00e3o \u00e9 um movimento f\u00edsico, \u00e9 uma vibra\u00e7\u00e3o em n\u00f3s e na atmosfera que conduz os aspetos da nossa individualidade. Cada pensamento, desejo ou avers\u00e3o, cada a\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas a Natureza (Prakriti) movendo-se em si pr\u00f3pria. O poder c\u00f3smico \u00e9 o sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O prop\u00f3sito do cosmos \u00e9 designado em n\u00f3s para expressarmos o universal atrav\u00e9s da finitude.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas as qualidades que nos trazem estabilidade s\u00e3o as mesmas que nos limitam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vibra\u00e7\u00e3o de todas as camadas da nossa personalidade, expressa a nossa tend\u00eancia para transcender as limita\u00e7\u00f5es da finitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A natureza procede das leis do cosmos. Existe uma necessidade, uma gravidade f\u00edsica e ps\u00edquica, que nos leva a cooperar, a agir.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A a\u00e7\u00e3o \u00e9 insepar\u00e1vel do Ser. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A a\u00e7\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia da finitude de todas as entidades no universo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta finitude em n\u00f3s move-se constantemente \u00e0 procura de transcender a sua limita\u00e7\u00e3o, porque a verdadeira natureza do finito n\u00e3o \u00e9 a finitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa finitude como indiv\u00edduos isolados prende-nos a agir compulsivamente em busca da estabilidade. O tipo de a\u00e7\u00e3o compulsiva \u00e9 aquela que visa um objetivo pessoal e nos mant\u00e9m ref\u00e9ns dos resultados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo pelos objetos finitos vem da incapacidade de como fen\u00f3menos finitos, repousarmos no infinito.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Toda a cria\u00e7\u00e3o se move na dire\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o do absoluto.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este movimento na dire\u00e7\u00e3o dos objetos deve-se a uma afinidade inerente entre os sentidos e os objetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na filosofia v\u00e9dica, todo o mundo manifesto f\u00edsico ou mental \u00e9 constitu\u00eddo ou regido pelas 3 for\u00e7as da Natureza \u2013 os Gunas ou as qualidades de Rajas, Tamas e Sattva (Atividade, Resist\u00eancia e Luminosidade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os 3 Gunas em n\u00f3s s\u00e3o atra\u00eddos pelos 3 Gunas nos objetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Os Gunas movem-se nos pr\u00f3prios Gunas.\u00a0 &#8216;Gun\u0101h guneshu vartante\u2019 \u2013 Bhagavadgita<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Um corpo \u00e9 atra\u00eddo por outro. Uma mente \u00e9 atra\u00edda por outra. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Uma qualidade \u00e9 atra\u00edda por outra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o os 3 gunas nos nossos sentidos que agem sobre os gunas nos objetos dos sentidos. Todas as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o ultimamente esta associa\u00e7\u00e3o interna e externa entre os gunas da natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s somos apenas uma onda. O objeto \u00e9 apenas outra onda. Encontramo-nos porque entre n\u00f3s h\u00e1 uma afinidade, uma similaridade de estrutura que \u00e9 a totalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00f3s n\u00e3o somos os agentes da a\u00e7\u00e3o. Tudo acontece atrav\u00e9s de n\u00f3s, n\u00e3o a n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O sujeito \u00e9 o poder c\u00f3smico.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para nos libertarmos da a\u00e7\u00e3o, temos de libertar-nos da individualidade em si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um fator invis\u00edvel entre o sujeito e o objeto, entre o agente e o fim. Esse fator invis\u00edvel \u00e9 o Divino, o nosso Eu mais elevado a chamar-nos para uma consci\u00eancia maior. Esta divindade, este princ\u00edpio maior cont\u00e9m a nossa finitude e a finitude de todos os objetos que desejamos e move-se visando a realiza\u00e7\u00e3o da totalidade atrav\u00e9s da limita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que nos limita \u00e0 finitude, n\u00e3o \u00e9 a a\u00e7\u00e3o em si, mas os desejos individuais ou as tend\u00eancias egoicas, os v\u00e1sanas. \u00c9 a ignor\u00e2ncia sobre a natureza da a\u00e7\u00e3o e sobre a natureza da estabilidade que nos mant\u00e9m insaci\u00e1veis e desapontados, presos na roda de nascimentos &#8211; samsara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo \u00e9 a performance dos poderes c\u00f3smicos da Prakriti (Sattva, Rajas e Tamas), que agem de uma forma impessoal com um prop\u00f3sito Universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Todo o universo trabalha sem um sentido de individualidade em si.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele nem sabe que existimos individualmente e, no entanto, n\u00f3s proclamamos a nossa independ\u00eancia e a individualidade das nossas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A nossa exist\u00eancia \u00e9 dirigida pelo prop\u00f3sito do cosmos que \u00e9 o de resgatar esse des\u00edgnio divino em n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>N\u00e3o existe nada apenas para si. Tudo existe para tudo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando entendo que o prop\u00f3sito da minha exist\u00eancia n\u00e3o sou eu, nenhuma a\u00e7\u00e3o \u00e9 incorreta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando entendo que a verdadeira motiva\u00e7\u00e3o de todos os desejos \u00e9 transcender a finitude, a necessidade do livre arb\u00edtrio deixa de ser importante porque n\u00e3o divido a experi\u00eancia entre bom ou mau, n\u00e3o preciso escolher, nem decidir, porque o cosmos inteiro me conduz em cada a\u00e7\u00e3o, porque j\u00e1 n\u00e3o sou afetada pelo sucesso ou fracasso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intensidade do ego \u00e9 o obst\u00e1culo. Ao identificar-se com os objetos, o ego move-se na sua dire\u00e7\u00e3o como ancora de estabilidade para a sua identidade individual, provocando uma rea\u00e7\u00e3o c\u00f3smica que provoca sofrimento e desequil\u00edbrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cultura v\u00e9dica todas as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o vividas como um sacrif\u00edcio \u2013 Yaj\u00f1a Karma que visa tornar toda a\u00e7\u00e3o sagrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma dedica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o um meio para um fim individual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Yaj\u00f1a encontro-me <strong>em cada momento intensamente ativo, mas sempre testemunha contemplativa<\/strong>, com o foco principal dirigido ao fator divino, ao princ\u00edpio criador, \u00e0 c<strong>onsci\u00eancia suprema<\/strong> que <strong>\u00e9 a meta primordial da vida<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Controlar os sentidos pela for\u00e7a \u00e9 imposs\u00edvel. Suprimir ou reprimir os desejos provoca uma rea\u00e7\u00e3o e empurra essa vibra\u00e7\u00e3o para o subconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sublima\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho do yoga, da a\u00e7\u00e3o como sacrif\u00edcio da individualidade finita, at\u00e9 transcendermos a dualidade sujeito\/objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentidos, mente e intelecto unem-se numa chama \u00fanica, purificando-se e extinguindo-se, terminando a identifica\u00e7\u00e3o com os instrumentos dos sentidos e os objetos. Se preservarmos este sadhana, a desidentifica\u00e7\u00e3o passar\u00e1 a ser uma v\u00e1sana espont\u00e2neo, uma tend\u00eancia satvica e seremos conduzidos pela vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As a\u00e7\u00f5es e planos desenrolam-se sem identifica\u00e7\u00e3o. Temos o que precisamos em cada momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto oscilarmos entre ganhar ou perder, bloquearemos natureza da pr\u00f3pria exist\u00eancia que \u00e9 mover-se para reunir-se como totalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tornamo-nos mais fortes sublimando a mente. Ao sublimarmos os sentidos na mente, a mente no intelecto, o intelecto no esp\u00edrito, encontramos a nossa ra\u00edz no esp\u00edrito do cosmos. Refugiamo-nos na realidade \u00faltima das coisas.<\/p>\n<p>A newsletter \u00e9 dedicada a ti!<\/p>\n<div class=\"emaillist\" id=\"es_form_f2-n1\"><form action=\"\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F290#es_form_f2-n1\" method=\"post\" class=\"es_subscription_form es_shortcode_form  es_ajax_subscription_form\" id=\"es_subscription_form_69d1e6ce6caf5\" data-source=\"ig-es\" data-form-id=\"2\"><div class=\"es-field-wrap\"><label>Nome*<br \/><input type=\"text\" name=\"esfpx_name\" class=\"ig_es_form_field_name\" placeholder=\"\" value=\"\" required=\"required\" \/><\/label><\/div><div class=\"es-field-wrap\"><label>Email*<br \/><input class=\"es_required_field es_txt_email ig_es_form_field_email\" type=\"email\" name=\"esfpx_email\" value=\"\" placeholder=\"\" required=\"required\" \/><\/label><\/div><input type=\"hidden\" name=\"esfpx_lists[]\" value=\"9c3b330f422f\" \/><input type=\"hidden\" name=\"esfpx_form_id\" value=\"2\" \/><input type=\"hidden\" name=\"es\" value=\"subscribe\" \/>\n\t\t\t<input type=\"hidden\" name=\"esfpx_es_form_identifier\" value=\"f2-n1\" \/>\n\t\t\t<input type=\"hidden\" name=\"esfpx_es_email_page\" value=\"290\" \/>\n\t\t\t<input type=\"hidden\" name=\"esfpx_es_email_page_url\" value=\"http:\/\/www.livingaltar.pt\/?p=290\" \/>\n\t\t\t<input type=\"hidden\" name=\"esfpx_status\" value=\"Unconfirmed\" \/>\n\t\t\t<input type=\"hidden\" name=\"esfpx_es-subscribe\" id=\"es-subscribe-69d1e6ce6caf5\" value=\"c2333fd218\" \/>\n\t\t\t<label style=\"position:absolute;top:-99999px;left:-99999px;z-index:-99;\" aria-hidden=\"true\"><span hidden>Please leave this field empty.<\/span><input type=\"email\" name=\"esfpx_es_hp_email\" class=\"es_required_field\" tabindex=\"-1\" autocomplete=\"-1\" value=\"\" \/><\/label><input type=\"submit\" name=\"submit\" class=\"es_subscription_form_submit es_submit_button es_textbox_button\" id=\"es_subscription_form_submit_69d1e6ce6caf5\" value=\"Subscrever\" \/><span class=\"es_spinner_image\" id=\"spinner-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.livingaltar.pt\/wp-content\/plugins\/email-subscribers\/lite\/public\/images\/spinner.gif\" alt=\"Loading\" \/><\/span><\/form><span class=\"es_subscription_message \" id=\"es_subscription_message_69d1e6ce6caf5\"><\/span><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 em nenhum momento, nada inativo no universo, e nenhum de n\u00f3s pode demitir-se de agir constantemente pois nada no universo \u00e9 independente das leis<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":291,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,3],"tags":[],"post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/290"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=290"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/290\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":293,"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/290\/revisions\/293"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/291"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.livingaltar.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}