No Altar Sagrado da Verdade, o Perdão (Kshama)

Este é um convite:

Entrega e rejubila-te!

Normalmente quando pensamos em rejubilar-nos, pensamos em adquirir ou desfrutar de algo fora de nós, ou preservar algo conquistado.

A nossa perceção sensorial comum é muito seletiva e por isso parcial. Acumulamos alegrias e ressentimentos sempre que nos identificamos com os objetos ou acontecimentos e nos relacionamos com eles separados de nós.

O ressentimento foca a nossa atenção nas ações dos outros, demitindo-nos da nossa responsabilidade em relação ao nosso bem-estar e ao potencial transformador do momento.

Ao vivermos reféns de pradrões antigos, de impressões Kármicas sub-conscientes que acumulam ilusões de vidas passadas e emoções não resolvidas, falhamos em reconhecer a nossa verdadeira natureza, nunca afetada, e falhamos em reconhecer a luz virtuosa em cada pessoa ou evento, em aceitar o propósito espiritual dos acontecimentos e manifestações neste mundo com o seu potencial para nos despertar para a condução mais elevada.

É por isto que te escrevo hoje.

Kshama não significa perdoar alguém ou algo pelos erros ou ofensas que nos causaram. Não significa reprimir ou ignorar essa dor. Kshama é a vibração da aceitação. A prática do perdão é essencial para vivermos no presente.

Perdoar encurta a distância entre a mente consciente e a consciência divina.

Kshama é vital para vivermos o nosso Dharma, o nosso propósito mais elevado.

Quando o sábio Patanjali começa o seu tratado sobre o Yoga, o seu primeiro sutra é: Agora, o ensinamento do Yoga.

Agora, é onde podemos fazer as pazes com tudo e fundir-nos com o fluxo natural da vida. Agora é o momento mais auspicioso, a única bênção!

Como sabemos temos 2 ramos do nosso sistema nervoso: o simpático que é o que responde entre luta ou fuga, e o parassimpático, que nos ajuda a relaxar e digerir. O simpático, alimentado pelos ressentimentos e raiva, faz emergir a adrenalina que aumenta a pressão arterial, aumenta o ritmo cardíaco, contraindo os nossos músculos até estarmos prontos para agir. Os padrões de ressentimentos e mágoas, fazem-nos relembrar as situações dolorosas, e o sistema nervoso simpático não entende que esta não é uma ameaça neste momento e por isso ativa recorrentemente o mecanismo de luta ou fuga para nos proteger. Como não conseguimos sair deste padrão, ficamos exaustos, acumulamos tensões musculares que se transformam em dores crónicas e sofremos. O perdão ativa a confiança e o amor-próprio, ativa o parassimpático e a tranquilidade.

Quanto mais clara e presente estiver a nossa mente, menos experiências desagradáveis atrai. A nossa vontade é normalmente serva dos sentidos e da mente sub-consciente - ora impulsiva, teimosa e dispersa, ora ausente ou apática, flutuando pelo passado ou pelas preocupações sobre o futuro. Desta forma a nossa vontade enfraquece, e gatilha o medo e a ansiedade, dispersando a nossa energia mental.

Uma mente indisciplinada carece de atenção e de força.

Pensamentos positivos fortalecem a mente elevando-a acima das suas distrações.

O formato do Yoga oferece-nos a possibilidade, não de fugir, mas de fazer as pazes com tudo. A prática de yoga ideal é aquela em que o praticante permanece imerso no seu vaso sagrado, momento a momento, sem esperar nada em cada respiração, testemunhando tudo o que emerge desta prática, sem preferências. Se emerge o pânico, observa o pânico, se emerge a alegria, observa a alegria, mas não luta contra o negativo e nem se apega ao positivo. Simplesmente habita a experiência como é.

Trata-se mais de escutar do que ditar o que quero experimentar, porque se fugirmos das experiências negativas que têm a sua base em memórias do passado, estamos a ditar que o passado governa a nossa vida.

O Yoga é por isso, não só uma técnica de meditação, mas também uma forma de vida, a experiência da nossa verdadeira natureza, independente do que não podemos mudar no momento.

Tornamo-nos aquilo em que meditamos. Transportamos até à mais recôndita sombra esta atitude de Kshama, até o prana fluir pelos novos canais de luz e não pelos antigos, transformando-nos e a todas as experiências que atraímos. Todo o sistema nervoso é recalibrado por esta transformação. Samskaras destrutivos que libertam toxinas como a raiva, e reprimem a nossa vitalidade são substituídos por samskaras positivos como a compaixão e paciência que nos protegem e curam, que melhoram o nosso sistema imunitário.

O progresso vem chegando para aqueles que se entregam ao seu maior propósito.

Darshana Paula

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