Todos queremos sentir verdadeira Paz.
Todos queremos clareza.
Todos queremos libertar-nos do sofrimento.
Quando praticamos Yoga com a consciência da unidade como propósito último, plantamos a semente da unidade. Este artigo pretende inspirar-te e convidar-te a refletir sobre como permites que essa semente floresça, testemunhando a integração do corpo, mente e espírito.
Quando nos sentamos para meditar, ou fazemos qualquer prática em meditação, começamos por apoiar-nos num objeto de concentração, numa circunstância ou num fenómeno e esperamos manter-nos a salvo de qualquer ameaça à nossa identidade ou àquilo que temos como verdade. Com base nas impressões inconscientes da nossa mente, enfrentamos ou fugimos do que projetamos, condicionados por uma atitude de auto-preservação.
Enquanto estamos ocupados com o nosso objeto de concentração, mais físico ou mais súbtil, falhamos em notar a sua impermanência e dinamismo. É relevante também, que tudo o que possamos conhecer é precedido pela mente. A forma é a nossa expressão mental, igualmente dinâmica e impermanente.
Ao procurarmos uma condição externa para produzir um efeito interno, aliviamos sintomas externos, mas alimentamos novas aversões e novos apegos, como reação à natureza impermanente de tudo.
Na realidade, para nos sentarmos com a verdade, como verdade, precisamos entregar os nossos conceitos limitados, as nossas crenças, sucessos e fracassos. Para encontrarmos os nossos recursos internos, a presença divina em nós, temos de libertar-nos, não da nossa individualidade, mas da identificação dela com os objetos. Precisamos libertar o objeto, não só o objeto de concentração, mas também o corpo mental que se expressa na nossa auto-imagem, nos nossos padrões cristalizados, e desenvolver uma profunda intimidade com ‘Isso’ que toca a nossa força criadora, uma profunda intimidade com a nossa essência omnisciente e omnipresente.
Para libertarmos o objeto visto, para libertarmos aquele que vê e a própria visão como ação externa, precisamos render o impulso de criar, de doar algo fixo, permanente. Quando o fazemos, libertamos instantaneamente a força que causou este impulso. E que força é esta por trás de todos os desejos, de todos os impulsos - todos desejamos experimentar a unidade, a transcendência da dualidade. Que força é esta? A causa do desejo é o próprio Amor sem condição, sem objeto e sem separação.
Libertando esta força criadora, percebemos que entregar não implica destruir, desfazer, nem diminuir o nosso prazer de viver, não implica acrescentar ou subtrair das nossas vidas, implica sim, não perpetuar o que limita a nossa perceção, a nossa autenticidade e a expressão do nosso potencial mais elevado.
Não podemos estabelecer os nossos alicerces no mundo da forma pois ele está em constante mudança. Precisamos meditar sem objeto, mas primeiro precisamos reconhecer e descobrir como tudo está interconectado além dos nossos conceitos e identificações, precisamos reconhecer a sincronicidade e reciprocidade da vontade divina em nós e no mundo que nos rodeia.
É por isso que não existe paz mental, não existe meditação no meio da cadeia de pensamentos e ações reativas, nem através do conteúdo mental.
Estamos habituados a conceber a ideia do progresso através de ações, do esforço para satisfazermos os nossos desejos, mas na realidade estamos a criar mais impressões e limitações que nos esgotam.
Vivemos ancorados na história de que existe uma sequência, que existe hoje e amanhã e que movendo-nos daqui para ali progredimos, mas na realidade os cenários que projetamos englobam o presente, o passado e o futuro. Tudo o que conhecemos é precedido pela mente que traduz as vibrações sem forma, que flutuam no espaço e através de nós, para que o indivisível seja conhecido, se torne uma história no tempo e no espaço. Mas é a luz da fonte que nos mostra o que nós projetamos. Essa Luz não é um candeeiro externo. Essa luz é o que somos.
Algumas linhas chave para a meditação sem objeto:
- Entregando a condição da certeza, emerge a coragem para mover-nos no desconhecido, para meditar sem objeto.
- Entregando o poder da força para controlar ou determinar as coisas ou eventos, emerge a fé e o vigor para estarmos sempre conectados com o invisível.
- Entregando a cadeia de reações e julgamentos externos, emerge a neutralidade para contemplar, para testemunhar o abstrato.
- Entregando o mental doador de ações, tornamo-nos um veículo para o fluxo do prana, da força da vida em nós, para lá da mente, para lá da ação. A mente e o corpo sincronizam-se quando não estamos voltados para a identificação com os objetos dos sentidos.
Não se trata de chamar as nossas lições, de parar o sofrimento e a dor como uma ação em si, mas de reconhecermos a nossa morada em cada lição, em cada experiência, e antes de agirmos, antes do impulso para enfrentar ou fugir, para mudar ou impor, entregarmos as impressões implantadas na mente, entregarmos o conteúdo mental até a mente se encontrar por si, focada no infinito, conhecendo as limitações de viver separado.
Esta clareza vem deste discernimento e do desapego.
Vendo o quadro maior, a mente sabe que não precisa fazer nada.
Não se trata do que podemos obter com a prática, mas do que podemos entregar, e não falo de objetos, mas do nosso ser total.
Totalmente enamorados com a totalidade, dissolvemo-nos nela.
O que é mais Absoluto?
O que vemos? Ou o que está subjacente?
Que sejamos mestres da mente e das suas modificações.
Darshana Paula, dia Mundial do Yoga 2019
#Yoga #Meditação #Paz #Desapego #Entrega #Espiritualidade #Coragemefé #Clarezaediscernimento #Consciênciadatotalidade
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2 Comments
“As pessoas valem mais pelo que espalham do que pelo que acumulam” – Sou abençoada por conhecer este Ser Humano incrível que tanto dá!
Gratidão Carla pela benção da tua amizade, pela benção do teu propósito, pela benção da tua confiança, pela benção da tua Luz e inspiração na minha vida. Bem hajas. Abraço Dourado.