A expectativa e a arte de honrar todas as possibilidades, Sat-karya

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Hoje venho falar-vos da ideia, que por vezes temos, de que para atingirmos a perfeição da nossa vida, temos de perseguir este e aquele objetivo.

Fazemos planos precisos sobre como tudo vai acontecer, e sobre o resultado que obteremos. Focamos as nossas atividades na expectativa do resultado, esquecemo-nos das nossas necessidades no momento, e deixamos passar despercebidas outras dádivas.

A liberdade em relação às expectativas dá-nos a permissão para cuidarmos de nós próprios, dá-nos a possibilidade de trazer à realidade o nosso Dharma, o nosso propósito maior.

Ao libertar-me da expectativa de conquistar algo, saio do túnel estreito de visão limitada, e da desilusão sobre o que obtenho, seja de mim própria ou dos outros. A expectativa de algo que não é o presente, separa-me da totalidade das minhas possibilidades. Quando espero algo no futuro, reajo a tudo o que possa ameaçar essa expectativa.

Quando a minha mente deixa de funcionar movida pelo desejo, pela aversão ou pela ansiedade, não preciso controlar o desfecho de nada.

Eu tenho a expetativa de viver inteira, de viver a totalidade. mas isso só é possível quando entrego a rigidez dos planos, a visão inflexível que assenta sempre nas minhas crenças, naquilo que já conheço, na linguagem que é sempre conceptual.

A minha expectativa é a experiência da vida.

A forma como poderei experimentá-la está na sincronicidade dinâmica com que participo no momento presente.

Quando enraízo as minhas expectativas e possibilidades no agora, experimento-me viva perante o mistério da vida. Não vivo em estado de alerta sobre o que pode ameaçar os meus planos para o futuro.

Viver a vida aberta a todas as possibilidades, é a minha prece.

Quando entrego esta intenção, testemunho a reciprocidade, momento a momento. A minha mente abre-se e eu consigo aceder à minha intuição, às necessidades e desejos profundos da minha alma. Cuido de mim, dos meus pensamentos, daquilo que sopro ao vento com a força do prana. Porque quando o prana, a força da vida entra em mim, ele potenciará a frequência em que me encontra. O prana não dá preferência ao positivo e rejeita o negativo. O prana é imparcial.

Convido-te também a refletir: Se afirmas para ti: ‘Eu não tenho qualquer expectativa, na minha vida pessoal ou espiritual ou outro aspeto’, verifica o quanto essa afirmação pode estar enraizada em desilusões ou frustrações passadas, ou numa profunda desistência de viver, achando que não mereces, ou que não podes ter o que desejas, numa consciência de vitima ou de punição. Verifica o quanto podes estar enraizado numa consciência de separação em relação à abundância infinita, e ao teu potencial ilimitado.

Convido-te a honrares todas as possibilidades (satkára), a aceitares que a simples expectativa de ser feliz, não deve transformar-se numa jornada de stress e preocupação, pelo contrário essa expectativa de ser feliz, deve levar-nos a responder aos eventos da vida com equanimidade, com sinceridade, deve levar-nos a testemunhar a nossa fé, e ao reconhecimento do empoderamento, que não vem da forma, mas do mistério, da magia de ser flexível e da permissão para sermos a cada momento.

Não preciso deixar de fazer planos ou ter objetivos, deixo sim de me identificar com essa expectativa ou com o resultado. A minha felicidade é agora e não depende do sucesso ou do fracasso.

Consegues sentir a potencialidade da tua prática, quando entrares na sala de Yoga, e te sentares para a tua prática simplesmente com a prece para cuidares de ti? Consegues sentir a potencialidade de uma prática sem condições, sem fugir do agora, sem temer qualquer desafio à tua personalidade? Consegues aceitar que pode ser essa personalidade que desejas manter intacta, o que te mantém separado do que desejas?

Não esperes ser recompensado pelo esforço, ou reconhecido pelo resultado das tuas ações, desenha um sorriso de compaixão em ti, e verás todas as condições e exigências desvanecerem-se.

Por vezes confundimos a auto-disciplina com a necessidade de controlar o resultado, mas a auto-disciplina é exatamente para escolhermos a ação correta a perícia adequada, sem a arrogância de que podemos controlar o resultado ou mantê-lo fixo, pois a natureza de tudo é a constante mudança.

Começa a cada momento, onde estás, com o que tens, sem ideias ou conceitos e vê quantas mais possibilidades tens, à medida que entregas a expectativa dos resultados. A única coisa que podemos fazer é sintonizar-nos com o que é amoroso e auspicioso, e confiar que tudo está bem. A semente já contem em si a vibração da árvore completa, a vibração das flores e dos frutos, ela entrega-se a todas as possibilidades pois em si tudo já está presente, independente daquilo com que tiver de deparar-se.

Dar à vida, a nossa presença no agora, sem o fardo dos resultados, é a Luz capaz de iluminar o nosso potencial ilimitado, seja em cima do tapete de yoga, seja na espiral da vida.

Tu és Existência, Consciência e Extâse (Sat-Chit-Ananda) independente de te encontrares feliz ou desiludido.

Gosto de pensar no universo inteiro como o útero de todas as possibilidades que se revelam à medida que a centelha individual de cada um de nós é experimentada, não à medida que a nossa personalidade espera resultados.

Tudo permanece inteiro, e aparece ao mesmo tempo individual. (Sat-Karya)

Somos individuais e Somos Um.

Esta dança não pode ser planeada nem repetida… Desfruta!

Darshana Paula

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