Agni, Soma, e Indra (Sol, Lua, e Jupiter)
Agni é a chama divina e vital da vida. É o princípio da Alma universal. É a luz da perceção e a luz da consciência (Chidagni).
Soma é o principio de nutrição que permite à vida proliferar. É o meio em que a luz é refletida, a mente e o poder refletivo da consciência.
Estes princípios simbolizam a comunicação e a comunhão com as forças sagradas da vida.
Na terra, são o sol e a Lua que sustentam a vida. Por isso todos os rituais védicos eram realizados em alinhamento com a força e o movimento do Sol e da Lua, os Deuses primordiais da/na Terra.
Ao fogo é constantemente oferecido o alimento, esta é a alquimia e o ritual. Agni aceita o alimento e transporta-o despertando todas as forças criativas, que recebem nutrição através de si.
Tu és o alimento e a centelha.
Ativa em ti este fogo que desperta as forças subtis da vida.
Cultiva a chama estável – Prakashya, onde o invisível revelado.
Todo o universo é feito da dança entre Agni e Soma. Qualquer manifestação é o reflexo de um fogo infinito invisível. Todas as nossas ações devem ser para entrar em contato com esse fogo além de nós, alimentá-lo para que ele nos possa alimentar.
Agni é um dos Deuses no Rig Veda. Na sua forma celestial corresponde ao Sol (Surya), na atmosfera é o raio (Indra), e na terra é o fogo (Agni). Ele é tudo o que arde, ilumina e ascende. Apenas através de Agni podemos elevar a Terra em nós. Agni aceita o nosso corpo como oferenda (Soma).
Soma corresponde à Lua (Chandra). É o alimento do universo, é o néctar e a essência da vida.
Indra é a energia impulsionadora, o guardião dos céus. É correlacionado com vayu, o vento.
A Alma é Soma, alimento para o Absoluto.
O Absoluto é Agni, o fogo inextinguível, o principio da unidade, da Alma Universal.
O espírito do fogo manifesta-se na natureza, nos raios das tempestades, no ar, na radiância do sol. É o mensageiro dos Deuses pois viaja entre o céu e a terra.
O fogo que consome é a energia transformadora, e com o seu alimento ou combustível, transformam-se constantemente um no outro, no seu estado e na sua atividade. Todas as formas são consumidas no fogo para emergirem novos ciclos.
Ambos Agni e Soma repetem-se na sua performance, e nenhum é afetado.
Na forma celestial Soma é a Lua, na atmosfera é a bênção da chuva – o leite cósmico que flui para os rios, e na terra é o leite da vaca sagrada, o ghee, os fluidos vitais, a seiva das plantas, o espaço como campo vibratório …
Soma é o elixir da vida, a substância primordial do mundo.
A qualidade de nutrição de Soma está em cada respiração, absorve-o; em cada trago de água, bebe-o; em cada perceção, recebe-o.
Em cada respiração, a chama da verdade universal. Abriga-a no teu coração. Caminha como aventureiro inocente com paixão, integridade e o mistério convidativo do teu ser mais profundo.
Antecipa a cerimónia, oferece-te diariamente, uns minutos a respirar, beber ou comer como um ritual. Satisfaz o teu corpo e o teu espírito intensamente.
Lambe a essência e o devir.
Presta atenção a esta seiva da vida, ela despertará!
Inspira a tua vitalidade, bebe a essência da vida através da beleza à tua volta, o mel (madhu) da vida.
Soma é inerente na luz e na consciência, e conecta-nos com ananda, o êxtase de onde emerge o universo e onde regressará.
Entregar soma é elevar agni.
A fricção provocada pela dualidade Agni-Soma, é o que purifica a força da vida.
Esta dualidade é a união de agni e soma, que acontece no útero cósmico quando o primeiro raio é transmutado e lhe é oferecido ao mesmo tempo, a imortalidade da sua essência e o destino de recriar-se e transmutar-se de novo. A união e a dualidade.
Tudo flui no rio da vida graças a esta polaridade. Agni e Soma estão enraizados na unidade, na complementaridade, no ritual de transmutar-se e dissolver-se. Através da neutralidade tudo flui.
O nosso corpo não é regulado apenas por forças externas, mas é um veículo onde a força da vida pode ser dirigida e transcendida. No espaço do nosso corpo, veneno e néctar são alimento para Agni, tudo é consumido e torna-se combustível para a transformação.
A polaridade é uma fricção paradoxal que tem o poder de gerar, o soma do êxtase (ananda). Na presença desta consciência, o Ser humano não tenta sobreviver, mas perder conscientemente a forma, no êxtase inerente à existência. Esta é a felicidade sem objeto, além das flutuações da mente, a chama de sakshi-bhava, a consciência testemunha sem identificações.
Agni e Soma são também a alquimia subjacente ao processo do Yoga
O ritual interno da consciência.
O Sol ou Agni é o fogo no umbigo, no plexo solar; a Lua ou Soma é o néctar da coroa (sahashrara) e Júpiter (ou Indra) é o despertar radical da Kundalini Shakti.
Também podemos fazer coincidir esta trindade com as 3 principais nadi: ida, pingala, e sushumna.
Ida e Pingala cirulam paralelas ao canal central de Sushumna, análogo à coluna vertebral desde a sua base até à cabeça, entrelaçando-se à sua volta. Os pontos de interseção entre estas 3 nadi são os 7 chakras. Esta á a tríade do sistema nervoso. O sistema nervoso central corresponde a sushumna e as 2 nadi correspondem ao sistema nervoso autónomo (simpático – pingala, e parassimpático – ida).
Soma flui por Ida, regida pela Lua, e Agni por Pingala, regido pelo Sol. Esta polaridade está enraizada em sushumna, regida por Jupiter, onde flui Indra.
A devoção é Soma, o alimento que incendia o Agni que ascende por Sushumna.
Ida e Pingala são oferecidos no fogo central de Sushumna, Indra.
O Agni ascendente transporta-nos acima do corpo e da mente, de onde a centelha do Guru desce. Estes dois arcos, ascendente e descendente, são a fundação do circuito da força da vida, descendo e subindo, animando todo o corpo.
Este ritual não se trata de manter uma relação entre interno e externo, terreno e divino, mas de entregar a totalidade do corpo e mente na união última com a Força divina da vida – Shakti.
Ambos Soma e Agni descem e sobem manifestando a sua presença divina nos céus e na terra.
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