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Na filosofia do yoga – o Samkhya, tudo no universo, vivo ou inanimado emerge de Mula-Prakriti ou natureza indiferenciada. Esta é a matriz de toda a multiplicidade. Enquanto o Purusha é a consciência testemunha, imutável, e inativa, que não se identifica, não se envolve nem é afetada pelo movimento da Prakriti.

A prakriti tem em si todos os fenómenos possíveis (causa-efeito), que se manifestam através do 3 Gunas ou forças da natureza. No seu estado indiferenciado os 3 gunas estão em equilíbrio.

Quando os 3 gunas começam a interagir, devido ao contato entre o Purusha (Consciência) e a Prakriti (Natureza), o equilíbrio é perturbado criando correntes de energia que iniciam o processo de criação.

Os 3 Gunas são:

  • Sattva (luminosidade, bondade, harmonia) – Principio da inteligência, de onde a mente emerge. A mente é transparente e devido à sua leveza pode viajar como um raio de luz pelos órgãos dos sentidos. Quando a mente ganha a forma de um objeto de perceção, chamamos-lhe Vritti.
  • Rajas (atividade, paixão, ambição, motivação) – Principio da energia, sujeito a desintegração.
  • Tamas (escuridão, inércia, densidade) – Principio da materialização, sujeito a degeneração e morte.

 E obedecem a 2 leis:

  • Alternância, interação dinâmica, os gunas afetam-se mutuamente. Não são estáticos.
  • Continuidade, as substâncias estabilizam na qualidade dominante expressando tendências como pesado ou leve, negro ou luminoso, fresco ou quente, seco ou húmido, etc.. Tamas e sattva tendem a manter-se mais tempo, pois rajas é transformação, é transitório e rege a interação entre os gunas.

A RAÍZ DO APEGO E DO SOFRIMENTO

Os Gunas são as qualidades que nos mantém ligados ao mundo físico finito, que ligam a Alma (Atman) ao corpo. Esta é a raíz do apego pois os Gunas são uma espécie de cola que adere a todas as manifestações. Não podem ser separados ou removidos. A forma como interagem entre si cria a variedade de pensamentos, sentimentos e perceções sensoriais.

Estas 3 forças imbuídas do prana como consciência, criam os doshas (fatores que produzem o corpo e são responsáveis pela sua substância e integridade) – Vata, Pitta e Kapha, os humores do ar (movimento e expressão), do fogo (calor e luz – visão, digestão transformação) e da água (suporte e nutrição às outras duas forças como tecido vivo). O equilíbrio ou desequilíbrio destes doshas define o prakriti ou vikriti do corpo, respetivamente.

Apenas quando o Purusha, interage com a Prakriti, nós podemos testemunhar o mundo ou a prakriti.

O contato com a agitação dos gunas levam à justaposição de Purusha e Prakriti fazendo parecer  que o Purusha age, quando apenas está consciente da ação da Prakriti. O movimento dos gunas em si, não tem consciência. A ilusão desta justaposição leva ao sofrimento.

O contato da consciência com a matéria cria a ilusão de que a consciência se move e esquecemos a riqueza da quietude.

Quando aquecemos um ferro, dizemos que o ferro queima, mas na realidade apenas o fogo queima. Este é o tipo de justaposição entre a consciência e a prakriti.

Apenas o corpo físico, astral e causal têm as características da ação e do desejo dos frutos da ação, mas a luz eterna, equiparada ao sol no céu, permanece não tocada por coisa nenhuma nestes 3 reinos.

Nada vive sem este sol central no céu.

Sê como o sol que transcende todos os eventos no mundo.

No medo da morte está subjacente a confusão entre a essência eterna e o corpo físico que queremos perpetuar. Este instinto de sobreviver não vem do corpo, mas da Alma individual invisível, porque através da mente e dos sentidos não conseguimos conhecer este Atman.

Na presença da morte, nada desparece, apenas volta a ficar latente de novo na matriz. Uma das fontes de sofrimento é a urgência de manter-nos fixos e a rejeição à mudança de estado. Esta insistência da mente é o ego (ahamkara). É a obsessão da consciência quando imersa nos objetos dos sentidos, na perceção externa, quando colada ao rol de circunstâncias no tempo e no espaço.

Todos os fenómenos são iguais na sua natureza, parecem diferentes devido à natureza das lentes. O guna predominante é como uma lente que afeta a nossa perceção do mundo. Se a mente está em rajas, experienciamos o mundo como caótico, confuso,etc.

Embora o objetivo da pratica de yoga seja cultivar sattva, a meta é transcender a identificação errónea do ser com os gunas ou a prakriti, e regressar à consciência transcendente que testemunha o mundo da ilusão, sem ser afetada.

Os Gunas agem. A consciência da atividade é diferente da atividade em si.

A consciência parece estar ativa e mover-se.

Porque faço uma ação como se fosse o doador dela, o seu efeito também vem ter comigo.

A consciência está eternamente em modo testemunha, desapegada do processo de criação. Este desapego não é dualidade, é precisamente a fundação da unidade que se doa na continuidade, que se entrega sem se desligar, para nos sentirmos vivos.

Também tu carregas em ti o ritmo, a canção sem forma. Enquanto és este corpo que podes tocar, a vibração primordial sem forma, o útero cósmico não deixa de existir em ti.

Recebe esta injeção da herança cósmica, da força da superação para aceitar a mudança, para viver além da experiência tangível.

Permite que a força da evolução continue.

Sente esta vibração que comunica incessantemente com a tua centelha divina, para reconheceres a mente cósmica (Mahat) em todo o lado.

Não há distância entre ti e o TODO!

Não há maior medicina que esta no caminho da prosperidade e da continuidade!

Nada se repete neste espaço divino que orbita através das polaridades permitindo-nos evoluir.

Tu conheces esta sinfonia!

Esta Newsletter é dedicada a ti.

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Purusha, Prakriti e a dança dos Gunas
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