O sankalpa é uma intenção, uma resolução interna, curiosidade e coração.
O que fôr a profundeza do teu ser, assim será o teu desejo.
O que for o teu desejo, assim será a tua vontade.
O que for a tua vontade, assim serão os teus atos.
O que forem os teus atos, assim será o teu destino.
Brihadaranyaka Upanishad IV, 4.5
Todos precisamos sentir que temos um propósito (Dharma).
Precisamos sentir o que nos move, o que somos neste mundo. Alinhar-nos com os nossos dons, com as oportunidades e com os desafios que a vida nos traz, despertará a nossa sensibilidade mais profunda, a nossa intuição e a intenção adequada.
O Dharma não é um drama.
Quando finalmente encontramos os nossos dons, virtudes e princípios é a nossa fé (shraddha) que descobrimos. Shraddha influencia a forma como percecionamos o mundo e como nos movemos nele.
O nosso propósito e a nossa fé no caminho seguem juntos.
As minhas reflexões hoje trazem-me para o poder da intenção nos meus dias.
Sinto que colocar uma intenção precisa, não é o mesmo que estabelecer uma meta fixa. Por muito grandiosa que seja a meta, o resultado está sempre no futuro materialístico. O foco será sempre o resultado e a todo o momento estarei a reagir e julgar o que acontece com relação à meta distante. A dúvida, o medo e a ansiedade estarão presentes até à meta, e quando ela chegar, o desapontamento é uma probabilidade, na impossibilidade de manter o resultado.
Colocar uma intenção é como plantar uma semente, alinhar-me com a essência em mim, o poder criador – sankalpa shakti.
O ato de plantar revela instantaneamente o caminho, a ação necessária, a direção para enraizar e para florescer. A ação não se foca no futuro porque a intenção contém em si a causa e o efeito.
A intenção sustenta o compromisso constante com a vibração da flor, do propósito.
Este alinhamento é integridade. Preciso estar de acordo com a intenção para que sucessos e fracassos sejam vividos como contribuição e não como atraso ou avanço.
Uma intenção implica uma união.
Uma intenção não compreende a concorrência entre manifesto e não manifesto, ou o equilíbrio entre duas dimensões. Uma intenção integra o visível e o invisível. Na intenção não existe competição ou oposição.
É a coerência desta unificação, a fé em ação que revela o propósito como integridade.
O Dharma acontece quando a intenção se move, este é o movimento da atenção no agora, atual.
A união chega caminhando a fé.
Os opostos são iguais na sua natureza, apenas diferem na nossa perceção. São os gostos e os não gostos que os mantém opostos. Assim que a nossa exigência e imposição se desvanecem, também a separação desaparece porque numa intenção estão todas as intenções, todas as possibilidades.
Ao aprender a cultivar a intenção, ganho o poder de não precisar conservar o resultado. A intenção mantém-me no presente, dando-me um sentido de propósito independente do que alcanço ou não.
Com a intenção presente, não sou movida pelas inseguranças e medos, mas pelo propósito. O propósito é livre do que consigo alcançar ou não, porque me respeito, respeito a minha intenção, respeito o fluxo e a direção da vontade divina em mim.
Não preciso abandonar o que desejo, mas a relação com os objetivos é permeada pela intenção dinâmica, além das flutuações – conquista ou derrota, ganho ou perda, apego ou aversão. Vivo com a intenção todos os dias, conectando-me todos os dias com a dignidade e a tolerância que me permitem participar, cooperar com fluxo da vida. Com esta consciência já não sou vitima nem autora, nunca estou impotente face ao que ocorre, ou à sua causa.
A minha felicidade já não depende dos sucessos ou fracassos, porque sou livre. O meu propósito é livre.
A minha intenção é precisa.
Sou o próprio propósito da vida.
O meu sankalpa é um não sankalpa porque sou completude.
Por isso, esqueço os julgamentos e trabalho cada novo dia que desponta. A intenção certa é uma aspiração contínua que vem do alinhamento com a minha intuição e não com aquilo que já sei.
Tudo tem uma causa e um efeito.
A intuição (o coração desperto) é uma fonte preciosa para escolher as intenções.
A palavra intuição vem do latim ‘intueri’ – ‘olhar para dentro ou contemplar’ – educar-me a partir de dentro.
A intuição pode ser um processo criativo. De repente pode criar algo nunca visto, um insight poderoso que inclui um quadro maior, ao contrário dos processos dedutivos do pensamento. Assim que a intuição emerge, por ser tão direta e intensa, por ser tão concordante com o exterior e com o interior, sustenta a possibilidade de encarnar a perceção.
A intuição permite-me a experiência de uma não fisicalidade e traz-me a possibilidade da forma e da totalidade – visível e vazia ao mesmo tempo.
De qualquer modo, seja o que fôr que enfrentemos agora, seja o que fôr que a vida nos sirva agora, é influenciado pela forma como o recebemos, pela nossa intenção neste momento.
Com o tempo, ganho a habilidade de consistentemente manter as minhas intenções, independente do que se apresente. Deixo de exigir, de julgar e de reagir e sou feliz.
Com o tempo entendo que a intenção certa não é sobre obter um resultado material ou visível, mas sobre regressar ao Lar em mim a cada momento.
O sankalpa é plantado no presente e de forma positiva.
Plantar uma intenção não me revela como tudo se desenrolará, mas também não me divide entre os condicionamentos de luta ou fuga.
Na presença da intenção, eu sou o altar vivo, o espaço sagrado para possibilidades transcendentes.
Na presença da intenção volto a sonhar e este sonho é o meu aliado. Tudo o que me amedronta, são partes que precisam de voltar a casa.
Não evito nada. Sou presença.
Sei que todas as experiências boas ou más continuarão até eu despertar a intenção certa. Neste sentido tudo é uma bênção. Mas não quero esperar por uma emergência.
Começo agora a iluminar os desejos do meu coração.
A newsletter é dedicada a ti!



3 Comments
Tão lindo, Coracão ♥ Gigante! Este teu pensamento fez-me muito pensar! Acerca dos relacionamentos amorosos, da Vida em geral.
Bem hajas, por fazeres este caminho de reflexão em amor. Abracinho cheio de luz
♥