Samshaya (dúvida) e Vichara (Inquirição)

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Uma intenção – dois caminhos

Nas minhas reflexões, encontro a dúvida e a incerteza como radicalmente opostos.

A vida está cheia de incertezas.

Tudo pode mudar num simples rufar do nosso tambor mais profundo, o coração.

A incerteza é o que me permite recriar o meu próprio corpo em cada momento.

Não é a incerteza que me paralisa, mas os muros que ergo para me proteger do incerto, do efémero.

Na incerteza é onde posso evoluir.

A dúvida é a negação de mim própria.

A dúvida alinha-me com os meus medos. A dúvida é a minha resistência em aceitar que sou o criador da minha vida.

A dúvida é a oposição, o reverso do sonho.

Os obstáculos não vêm se não existirem dormentes.

O próprio pensamento (positivo ou negativo) é a prova de que somos criadores.

Para chegar ao lugar de não dúvida, tenho de sair da superfície, do corpo físico, das flutuações sensoriais, responder às perguntas sobre a minha existência, sobre a presença auspiciosa do grande poder criador em mim.

Quem é aquele que dúvida? Quem é aquele que pergunta?

Isto é Vichara, a inquirição sobre a natureza do meu ser.

Conforme a natureza do açucar é ser doce, a natureza da mente é duvidar, e a natureza da vida é a completude, o contentamento.

Pergunta-te quem sou eu antes de qualquer intenção, antes de duvidar ou reagir, antes de dormir, depois de acordar…

Quem sou eu? Faz a pergunta antes de qualquer atividade e depois.

A pergunta não exige uma resposta. É apenas uma ‘tomada de consciência’ do que não sou.

Não negoceies com o desejo de controlar, persiste na pergunta – Quem sou eu?

Quem sou eu? Todas as respostas verbais serão dúvidas, esgota todas as dúvidas, anula todas as distâncias e contradições, o corpo e a mente; o mundo e Deus, o manifesto e o não manifesto, criação e destruição, certeza e dúvida, dôr e prazer.

Quem é este que cria em mim a dificuldade e o confronto, a resistência de viver esta vida que é afinal o reservatório de todas as aprendizagens e de todas as possibilidades.

Podemos duvidar da natureza real do mundo, mas o que é irreal não é o mundo. O que é irreal nesta perspetiva, é a minha experiência como entidade separada. Cada vez que pergunto: Quem sou eu? Expando a minha própria identidade para lá do mundo físico e da mente, até um círculo mais vasto, até eu desaparecer na própria totalidade. Esta inquirição liberta-me da história e aponta a raíz de todo o sofrimento – é a própria causa da dúvida, e a própria solução. Quando chego ao espaço de onde tudo emerge, ao espaço vasto onde projeto a minha história, o passado já não me afeta e já não tenho dúvidas sobre o futuro.

Podemos confundir equilíbrio com certeza, mas apenas aqueles que se experienciam separados buscam o equilíbrio. Em unidade não existe equilíbrio porque não existem forças opostas. Em unidade não precisas de ser neutro, precisas ser natural e nesta naturalidade podes ter pensamentos de desilusão com os acontecimentos, mas o sentimento de desilusão já não te afeta porque não tem nenhum oposto, porque já não te identificas ou suprimes nada.

Dúvida e incerteza

A vida está cheia de incertezas

Esgota todas as dúvidas.

Sê o profeta, relê a vida.

Quem sou eu? Sou esta paz indescritível. Em mim habita a fonte de tudo.

Esta é a medicina da unidade.

A distância entre dois pontos não existe, mas tens de dar o primeiro passo.

Quem sou Eu?

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