Hoje trago-vos reflexões sobre os insights que me traz a inquirição diária.
Em cada respiração, somos informados sobre a nossa infinitude, e sobre a fluidez do nosso corpo e do nosso espirito. Através desta expressão em constante mutação, a vasta unidade informa-nos de que estamos sempre aptos a relacionar-nos, a comunicar, a co-criar com o universo, no tempo e além dele, todas as formas possíveis.
No espaço, a consciência revela-se e esconde-se como num jogo, o jogo da vida.
Estamos completos, mas não estagnados. Somos distintos, mas inseparáveis.
O espaço é o corpo da beleza.
Embora contemos os nossos dias, o nosso fim é sempre a eternidade.
A imortalidade acompanha-nos, qualquer que seja a condição do nosso corpo individual.
O espaço está além dos fenómenos, mas permeia tudo: o definido e indefinido, o real e o ilusório, o consciente e o inconsciente.
Nós não sentimos o espaço, mas ele é a nossa profundidade que em todos os momentos nos toca e, no entanto, é intocável e inalterável.
O toque é o corpo da não dualidade.
Esta beleza que prospera independentemente das mais tristes circunstâncias no mundo dos opostos. No fim de tudo, o que resta sempre, é este corpo de beleza, o espaço da consciência, esta lucidez espacial que nos aprofunda em cada experiência.
Mas a totalidade não é uma experiência em si, porque é impossível de nomear, porque todos os nomes estão na dualidade, e toda a experiência vem dos sentidos e da mente.
A totalidade está aqui: é uma revelação.
Embora os nossos sentidos não possam agarrar o espaço, na sua completude ele abraça tudo o que projetamos nele, respondendo ao nosso desejo de sermos tocados, de nos dissolvermos neste corpo de beleza eterna.
Costumamos relacionar o espaço com o vazio em relação com as formas efémeras nele projetadas, mas quando relacionamos o espaço com o palco em que a consciência se esconde e se revela, o vazio transforma-se em plenitude e o corpo de beleza em si, transcende em nós o sofrimento.
Na realidade, só posso dizer que sou isto ou aquilo, só posso nomear-me, em relação com as máscaras que quero projetar e preservar, porque quando quero definir o meu ser individual mais puro ou essencial, encontro-me sem sujeito e sem a definição dele, porque apesar de distinto sou inseparável da realidade suprema.
Sempre que ilumino a inquirição sobre a minha natureza, vejo-me refletida na minha própria luz, nesta luz que não é uma luz independente, mas sim o reflexo da realidade completa, a fusão com o corpo de beleza, de não dualidade.
É possível vivermos esta sensação de completude através da experiência do espaço em si. A experiência espacial permite que a imagem do mundo seja percecionada.
É exatamente quando nos projetamos neste espaço como fenómeno, que passamos a ter, a ser um centro e a partir daqui encontramo-nos distintos. Mas sempre inseparáveis da plenitude sem nome e sem forma.
Como centro, neste centro experimentamos o ser como uma barreira para a realidade última. E criamos histórias e mitos para nos relacionarmos com a plataforma invisível, para encontrarmos um sentido no mistério, mas na realidade, quanto mais símbolos criamos, mais a plenitude desaparece.
Frequentemente queremos parar o tempo para agarrar a vida e afastamo-nos cada vez mais da beleza fluida e intemporal.
O espaço é a ponte entre a realidade dos fenómenos e a consciência indivisível.
Quando numa qualquer interação com alguém que nos procura em busca de conselho ou condução, somos capazes de lhe ‘oferecer’ espaço, é como um ‘reset’ na forma como perceciona a sua realidade. Este espaço é enraizado na verdade do ser, intemporal.
Esta integridade é purnata satya. A verdade é verdadeira porque contém a realidade suprema em harmonia com a impermanência.
Este espaço é catalisador, porque aqui todas as barreiras caem, este é o portal para a realidade transcendente que não necessita de símbolos, que é além do próprio espaço como substância, e além da causalidade.
Por isso se diz que onde não existe verdade, não existe conhecimento. Onde não existe conhecimento não existe felicidade.
O conhecimento verdadeiro relaciona-se apenas com a realidade suprema. Este conhecimento não é uma experiência, mas sim uma revelação.
A verdade é verdadeira, não porque simboliza a realidade suprema em harmonia com a impermanência, mas porque transcende a experiência efémera dos sentidos e da mente. Este é o espaço da consciência.
No espaço do coração, a experiência da verdade é direta, sem filtros sem condições. Deste espaço emana a minha gratidão que é a própria voz da minha respiração, que apenas posso sentir, escutando.
No princípio era o verbo.
Aqui ressoa a minha gratidão, porque o som canta o corpo de beleza. O som não é um atributo do ar, o ar apenas dança.
G R A T I D Ã O. Este som propaga-se através do toque da respiração em mim. Neste toque reconcilio a dualidade.
Neste espaço, que é a fundação que tudo permeia; de onde se origina a força vital, a mente e os sentidos, assenta o meu altar vivo.
Nele canto o mantra da Plenitude – Purnamadah – Isha Upanishad
Om Purnamadah Purnamidam
Purnat Purnamudachyate
Prunasya Purnamadaya
Purnameva Vashishyate
Om Shanti Shanti Shantih
Isto é completo/plenitude, aquilo é completo/plenitude.
Da completude/plenitude manifesta-se o completo/a plenitude.
Tirando o completo/a plenitude a partir da completude/plenitude,
somente a completude/plenitude permanece.
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