Vivemos a nossa vida em busca de estabilidade. Usamos todas as forças para criar uma vida estável. Desenhamos planos, investigamos possibilidades para direcionarmos a vida de forma a conservar determinada circunstância que nos faça sentir seguros, que não nos tire o chão nunca.
Na verdade, aquilo em que estamos a aplicar a nossa força e a nutrir, é a estagnação. Aquilo de que estamos a alimentar-nos, esta rigidez, é o que esgota a força da vida em nós.
A estabilidade é o que acontece quando nutrimos o que quer manifestar-se, momento a momento. É deslizar com a força da vida e aceitar o que precisa ser visto através de nós. Para esta estabilidade acontecer, precisamos de não impor a nossa definição de segurança e firmeza.
Uma simples gota do nosso suor pode fazer dançar todas as águas do cosmos, se aceitarmos a força da vida com que somos injetados a cada momento, como um serviço que nos ligará à fonte da nossa nutrição e à fonte da nossa força, à revelação do nosso potencial.
Aquilo que pode nutrir e direcionar os nossos planos, é a conexão com o que quer manifestar-se, a conexão com a forma em que a nossa alma quer experimentar-se.
Não podemos evitar a força da vida.
Esse é o movimento incessante que resulta de uma comunicação constante entre aquilo que É, e a nossa vontade. Quando decidimos reter uma circunstancia ou uma forma na nossa vida, aquilo que fazemos é cortar essa comunicação, essa possibilidade de afinar a nossa vontade com a força da vida em nós.
Quando a nossa vontade é a de experimentar aquilo que É, quando assentamos a estabilidade no movimento de repousar, de doar às circunstâncias a liberdade para terem a sua própria luz, sem qualquer julgamento, o que acontece, é que assumimos a forma da prosperidade e da clareza. Abrimo-nos cada momento mais e mais, à transição do potencial para o concreto.
Permitir que aquilo que quer ser, ganhe uma forma, e confiar que essa forma pode prosperar na impermanência, que essa forma pode conter em si o potencial total, é dar a possibilidade à vida de ser vida.
Este é um movimento preciso da vontade, da vontade do divino em nós.
Construir algo para ter vida própria e não para permanecer firme e estagnado.
Este é o toque final do supremo poder criador, expressando-se particularmente, permitindo-se a precisão de uma forma cuja existência não é compatível com a estagnação, porque a sua verdadeira natureza é a de renascer uma e outra vez, como potencial puro, à medida que nos aproximamos da realização do propósito da nossa alma, à medida que percebemos o quadro maior e permitimos que todas as partes da nossa vida se reajustem.
Permitimo-nos ver o que falta e o que deve partir para que o quadro maior da criação não se desintegre, não se desconecte do cosmos inteiro. Este movimento não é compatível com a estabilidade, pelo menos como estávamos acostumados a vê-la. Este movimento é desapegado da manutenção de qualquer identidade ou estado.
A antiga estabilidade que conhecíamos não é compatível com o quadro maior, porque ao identificar-nos com o que quer que seja, essa identidade deixa de conseguir caminhar-se e manter-se, tudo passa a ser sofrimento.
A estabilidade necessita de leveza, de sabedoria, de responsabilidade sobre a imagem que irá refletir o propósito maior.
Para trazermos o divino à vida, temos de reconhecer o divino que somos.
Para criarmos a estabilidade, precisamos assumir a nossa responsabilidade sobre as imagens, as marcas que criamos neste mundo. Para criarmos estabilidade, precisamos entregar aquilo que criamos para que possa mover-se, evoluir com a força da vida.
Todos queremos morrer de forma natural, mas esquecemo-nos de viver de forma natural.
Este movimento natural de transformação é a estabilidade, é o elo de ligação entre a criação e a evolução, a transformação inevitável.
A estabilidade está naquilo que criamos e que agora tem uma vida própria dentro do quadro maior, da unidade.
Não existe estabilidade sem unidade, não existe segurança fora do quadro maior.
Então eu sinto que a estabilidade que procuramos não é a permanência da forma ou da circunstância, mas a sensação de inclusão no movimento da vida no quadro maior, a sensação de unidade como conexão entre o que somos e a criação, a derradeira fusão da visão com o principio criador, que inclui as coias boas e as coisas más. Tudo é unidade. Fora do quadro maior, bom e mau separados não reúnem consenso.
Como totalidade, somos vastos o suficiente para abraçar e acolher os aspetos aparentemente opostos, e a separação da criação, causada por este julgamento que é o medo da nossa vastidão, o medo do tamanho do poder criador em nós.
Por vezes magnetizamos mudanças repentinas ou desagradáveis porque não é possível continuarmos agarrados a uma imagem estagnada de nós próprios, e recorremos a todos os meios terapêuticos para recuperarmos a velha imagem, mas quem quer voltar ao que era é o ego apegado ao que já não serve o nosso bem maior e que impõe e alimenta a sua rigidez ainda que com ela continuemos a sofrer.
Antes de procurares a verdadeira estabilidade, entrega o ego que impõe, que quer selar algo, porque no universo nada está selado.
Não te demores onde já não consegues respirar, sente o ar trazendo nova vida.
Escolhe o caminho do coração. Aí permite-te sair do medo de viver, permite que a vida se rearranje sem a desculpa da segurança, para que seja o coração a fundação da estabilidade.
No coração conhecemos o caminho, sabemos o que fazer sem necessidade da força como condição para criar segurança.
No coração todas as polaridades se reconciliam. Esta á a estabilidade da unidade.
No coração existe a paz, o espaço onde tudo pode viver, aquilo que parece contraditório e aquilo que parece competir com a imagem que queremos manter em nome da segurança. No coração está a clareza sobre o que precisa partir e o que precisamos receber.
A vibração de uma única gota no nosso oceano interno pode estremecer todas as águas e derramar o propósito cósmico no nosso coração aberto. Esta é a estabilidade que não impede a força da vida, o repouso em que não pretendemos manter ou rejeitar nada, o espaço onde parar é integrar e honrar a consciência na forma, sem qualquer esforço, sem qualquer julgamento, sem qualquer sabotagem –
Presença lucida, sem qualquer história a tirar-me a energia, a clareza e a paz.
Tudo é divino, sem resistência.
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