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‘Shantam’ e ‘Kalilam’ – calma e caos – dualidade e unidade

Nascidos do caos primordial, vivemos numa densa floresta de confusão mental sobre as prioridades na nossa vida, sobre o curso da nossa vida.

Procuramos a calma na certeza e num modelo de perfeição impossíveis.

Nós precisamos da incerteza para viver todas as possibilidades e o caos não contradiz a perfeição.

O caos é geralmente visto como contrário à ordem, mas o caos existe não só como condição para a vida, mas também como a própria força da vida na existência.

O caos reina nas diversas formas de vida como condição que recria, repara e renova constantemente.

A vibração do caos na vida parece-se geralmente com a desordem e a confusão, mas esta é uma visão limitada.

Apesar de não conseguirmos encontrar um sentido para o caos, o caos é o próprio impulso criativo, é o ritual que ergue o cosmos inteiro como um altar, consagrando em si diferentes formas, que quer sejam inanimadas ou vivas, são sagradas na sua relação com a totalidade.

Existe uma força organizadora poderosa dentro da desordem, que faz parte do maravilhoso mistério cósmico que abraçamos e que habita o nosso ser maior.

Precisamos da desorganização para a resolução.

Precisamos da coerência entre o caos e a calma.

Nada no universo está acabado, fechado num sentido determinativo. É por isso que caminhamos entre um oposto e o outro, para a renovação acontecer, para o encontro quebrar as velhas estruturas que já não nos servem, para esgotarmos todas as fragmentações e integrarmos a nossa chama individual no propósito cósmico.

Cada nova forma ou experiência que percecionamos corresponde a um padrão arquétipo eterno, uma formula eterna na mente primordial.

Tudo nasce do caos. O caos sem forma é inerente à ordem, sem qualquer conflito.

Apenas podemos completar processos e realmente digerir cada experiência para um novo passo, compreendendo que a mente cósmica nos projeta na realidade e nos liberta no sonho, para experimentarmos a ordem e o caos em simultâneo.

Tudo o que é vivo tem em si a vitalidade e a força necessárias para prosperar e evoluir no caos.

Esta é na realidade a natureza do caos.

O verbo nunca afeta o silêncio, tal como a forma nunca afeta a totalidade.

No caos estão todas as formas possíveis.

A ordem existe imersa no caos, em todas as forças da natureza tão poderosas.

O caos que vivenciamos, quer em nós, quer na natureza, não é independente dos nossos pensamentos ou intenções. A nossa poderosa força de vontade e o nosso propósito podem ser canalizados coletivamente para apoiar a realidade, se procurarmos entender e viver esta neutralidade.

O caos não é contra a vida.

Toda a condição dentro do universo é um fractal que incorpora tudo o que o universo é, ou pode ser.

O caos na Terra é parte dessa vibração maior da vida que sustenta e perpetua toda a existência.

Entender isto não diminui a nossa empatia por quem sofre dor e perda, mas ajuda-nos a reformular a nossa visão desesperada da vida, para uma visão empoderadora da continuidade da vida.

Possuímos a incrível capacidade de reformular o nosso mundo através do poder dos nossos pensamentos e das nossas decisões para criar uma nova realidade.

Quando queremos conquistar a ordem e os resultados fechados, devemos relembrar-nos que o resultado será a inércia que bloqueará a vida nos seus processos.

Negar o caos, é encontrar a causa e o efeito em conflito, é escutar o eco diferente da voz, é separar a pedra, das ondas que causa ao cair no lago, é negar à semente, a flor.

O que vibra na periferia, vibra em simultâneo na sua fonte.

A ordem apenas pode ser experimentada sem resistência ao caos.

A resistência faz-nos caminhar entre o oásis e o deserto, ora saciados, ora com sede, convencidos de sucessos e fracassos.

Sou o caos e sou o cosmos, sem condição e sem contradição.

A beleza e harmonia da eternidade em mim não são uma excepção ao caos.

O caos é de fato a sabedoria divina inerente à beleza e harmonia em mim.

Sim, sou o reflexo temporário desta eternidade, mas também sou ao mesmo tempo a chama que aspira transcender todas as limitações.

Não preciso da objetividade da ordem, preciso do discernimento enquanto existência, enquanto manifestação da mais alta prece, do ritual divino da criação.

Não preciso adicionar nada para sintonizar a ordem, apenas preciso não me subtrair do caos e permitir que ele me dance levando o que não é vital. A minha contribuição não me esgota porque não depende da forma ou das circunstâncias externas.

A fonte é inesgotável apenas enquanto as minhas mãos estiverem abertas.

Por isso a totalidade parece vazia, porque não pode ser confinada em nenhuma forma.

Desembaraça os nós. A Graça é a vida sem forma, na própria vida manifesta, sem reações, sem estações, sem preferências.

A newsletter é dedicada a ti!

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3 Comments

  1. Susana Alves diz:

    Mesmo em cheio!
    Que texto poderoso!
    _7\_

  2. Teresa Gonçalves diz:

    Grata pelas tuas reflexões querida Darshana!!!
    Um abraço ❤

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