Como em cima, assim em baixo – “Yatha pinde, tatha brahmande”

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Hoje venho partilhar convosco as minhas reflexões sobre um dos princípios védicos que reflete a totalidade do universo em cada parte:

“Yatha pinde tatha brahmande, yatha brahmande tatha pinde”

Como o indivíduo, assim é o universo, como o universo, assim é o individuo.

Como o átomo, assim é o universo. Somos o átomo e o próprio campo onde se move.

Somos realmente cósmicos. Qualquer separação ou divisão é uma limitação ilusória do nosso potencial cósmico.

A relação de similaridade entre o um e a variedade é o que nos conecta com a nossa natureza cósmica.

Aquilo que parece diferente para os sentidos, é realmente similar.

Devido à impossibilidade de nos vermos a nós próprios como realmente somos, precisamos conectar-nos com algo diferente para vermos como somos iguais. O único propósito de olharmos para fora é o de vermo-nos por dentro, é o de percebermos a natureza da separação.

No tempo linear, na dualidade, cobrimos o infinito com a perceção finita de que somos o doador e de que somos quem desfruta daquilo que fazemos porque sentimos a dor e o prazer, mas na realidade existe apenas um corpo cósmico, uma consciência cósmica. Tudo é o mesmo através desta relação de correspondência. Os eventos não acontecem por causa da nossa história individual, tudo está ligado num quadro.

O universo é independente do tempo e do espaço.

Enquanto as leis da natureza permanecem invisíveis, também a similaridade entre o cosmos e o indivíduo parecem inconcebíveis, porque o que presenciamos é o seu efeito.

O absoluto que permeia os sentidos não vê o mundo em mudança, mas a imortalidade do Ser expressando-se eternamente, e este é o padrão de expansão que nos conecta através da similaridade.

Nós somos a replicação fractal da expansão do cosmos.

O que é completamente abstrato revela-se presente no tempo e no espaço.

Nós somos a eternidade, o nosso limite é a eternidade.

O infinito está presente em cada ponto, tal como uma árvore inteira e todas as suas gerações futuras estão presentes na sua semente.

Cada célula no nosso corpo contém a informação completa da nossa estrutura mente/corpo. Cada célula contém a versão completa do nosso ADN original.

A alma individual (Jiva) é um espelho da alma cósmica (Brahman).

Se conseguirmos lidar connosco, conseguimos lidar com tudo.

Seja qual fôr o ponto que aprofundemos, aprenderemos sobre a totalidade.

Somos definidos e indefinidos.

Parecem duas verdades em conflito, no entanto são similares pela sua relação de correspondência.

Para haver uma relação tem de haver dualidade .

Enquanto tudo for um, nada pode ser visto.

Somos o efémero e a eternidade.

Esta distinção é o que permite reconciliar a forma com a sua estrutura fundamental.

Essa totalidade que nos Vedas é chamada de Brahma, está além da forma, e permeia tudo.

Brahma, eterno e sem forma, apenas pode ser visto na forma.

A nossa fisiologia é uma expressão da inteligência cósmica.

Quando encontramos doenças no nosso microcosmo, encontramos uma distorção no repositório desta inteligência. Quando a memória desta inteligência se perde, a habilidade de cada célula expressar esta ordem infinita, é distorcida, causando a cada parte, a impossibilidade de prosperar de acordo com o seu Dharma na comunidade de todas as células do seu sistema.

Nós somos o átomo em movimento e somos o campo imóvel.

Somos células de um macro sistema.

O Ayurveda diz-nos: “Purusho’yam loka sannidah”, o homem é um resumo do universo.

As partes, os efeitos podem ser diferentes, mas são ao mesmo tempo, um único organismo ressoando na mesma nota musical, a sinfonia da criação.

Tudo se influencia mutuamente, tudo está presente, mas a presença é apenas uma.

Tudo está em mudança, mas fundamentalmente nada muda, o que muda é a forma como uma experiência é representada e o entendimento dela.

Este é o padrão fractal, a recorrência da estrutura fundamental em toda a mudança.

O universo inteiro está comprometido com cada evento singular que é concebido para comunicar, para expressar a totalidade como comunidade, em que todas as partes estão ligadas através da sua qualidade primordial.

A nossa dependência do concreto, mantém-nos separados do nosso potencial infinito, porque através da mente apenas concebemos o que a mente concebe.

A beleza que vemos à nossa volta espelha-nos, mas também a guerra e o sofrimento.

Mas nós podemos decidir o que projetamos no espelho, a forma como a totalidade aparece.

Podemos ancorar o concreto na unidade ou na dualidade, esta é a nossa escolha.

Tudo é pessoal e ao mesmo tempo universal.

O micro e o macro relacionam-se entre si em todos os níveis.

O ser cósmico (Purusha) reside no coração do Homem, “mais pequeno que um grão de areia”, maior que o vasto céu, maior do que a atmosfera, maior do que estas palavras.

Tão vasto quanto o espaço, assim vasto é este espaço no coração do Homem.

No coração do Homem estão, o céu e a terra, o fogo e o vento, o sol e a lua, o raio e as estrelas.

A similaridade que parece impossível de conceber através da mente, é na realidade revelada através da manifestação. Neste padrão universal que persiste latente, e como um impulso nos nossos pensamentos e imagens, o corpo e o cosmos são equivalentes, a mente e a matéria são equivalentes, o espírito e a natureza são o mesmo na sua essência.

Para encontrarmos a similaridade invisível, precisamos cultivar empatia, afinidade com a visão da unidade.

Por isso todos os textos do Yoga indicam a importância do auto-conhecimento.

Conhecer aquilo através do qual tudo é conhecível.

Para conhecer algo temos de tornar-nos esse algo. Só então amanhece a visão única.

Estamos aqui. Manifestámos o abstrato. Somos a tradução da totalidade.

Somos a totalidade, além da medida e além da forma.

 

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