Estudar é a base da aprendizagem, do crescimento e da evolução em todos os aspetos da nossa vida.
Desde sempre, somos educados, para encontrar o que está errado ou não nos serve, e corrigir.
Se não gostamos de algo na nossa vida, se algo não corresponde ao que esperamos, começamos a investigar, a estudar o que está mal, para mantermos as coisas suaves, sem ameaçar aquilo com que nos identificamos, sem ameaçar a auto-imagem que queremos preservar.
À partida, este é um estudo que nos entregará apenas o caos e não a segurança, uma vez que tudo está em constante movimento.
Nada no mundo físico existe estagnado e por isso a incerteza é uma constante.
Apenas podemos conhecer verdadeiramente o que permanece.
A prática de Yoga é precisamente sobre encararmos a insubstancialidade dos inimigos externos e internos que projetamos como desculpa para não sermos tocados pela nossa genialidade, para não nos aproximarmos da vulnerabilidade/criatividade capaz de ultrapassar a limitações que nos impomos, capaz de fazer explodir qualquer julgamento que nos restringe e separa da totalidade.
No Yoga, o auto-estudo (svadhyaya) não significa que vamos entender ou controlar tudo, significa sim que somos testemunhas de tudo, ou seja espectadores, ou seja vemo-nos a agir, a reagir, a responder às coisas e situações.
Assistimos de um lugar neutro, aos nossos próprios pensamentos e emoções, às respostas do nosso corpo e às reações da nossa mente, e esta atenção é o que nos trará as pistas para o que nos condiciona.
A atitude testemunha é o que nos revelará as histórias que criamos sobre nós e sobre a vida.
Aprofundar esta atenção é conhecermo-nos.
Avistando as tendências, as crenças e os medos, os gostos e as aversões, a imaginação e os condicionamentos, o país, a cultura e a família em que nos inserimos, mudamos o foco do doador, para o espectador até deixarmos de nos identificar com os papeis e a história, para nos identificarmos com a nossa natureza verdadeira.
Só conseguimos ver a beleza do que amamos.
O auto-estudo por si traz a contato com o principio do divino, com o espaço do ser, para (re) conhecermos a nossa natureza verdadeira.
Esta é a joia sagrada do auto-estudo.
Tudo é um espelho do que existe dentro de nós.
O mundo inteiro é a nossa auto-biografia
porque reflete o que nós vemos e não o que está lá. O auto-estudo não nos aproxima da mente, do ego, da personalidade nem do corpo, mas da nossa integridade maior, porque deparamo-nos com o que realmente co-criamos – a paisagem que alimentamos dentro de nós.
O auto-estudo no Yoga, não serve para corrigir algo imperfeito e não nos traz a perfeição. O auto-estudo revela o que é, além dos filtros controladores. É a revelação da nossa vulnerabilidade e da omnipotência divina e criadora do nosso ser imortal.
Podemos ser nós. Sem perguntas e sem desculpas.
O auto-estudo desagua nessa associação com a verdade da nossa natureza perante qualquer situação, em vez de querermos excluir ou manter algo.
Nesta tarefa é importante o estudo dos textos ancestrais do Yoga e a companhia de seres que estão no mesmo caminho e dos mestres vivos, para migrarmos o nosso foco da ilusão da separação para a total honestidade e compromisso com o bem maior.
Persistindo nesta inquirição, nesta jornada, a verdadeira essência se revelará.
O fogo interno gerado por esta aproximação a nós próprios, à nossa natureza divina, é o que nos permite o discernimento sobre os nossos pensamentos e as nossas emoções que tanto poder têm. Daqui surge a disciplina que não força, que não pretende controlar, mas que ilumina e transmuta tudo o que não serve o bem maior.
Segundo o Yoga, o auto-conhecimento gera a disciplina adequada e a disciplina adequada gera o auto-conhecimento.
Uma relação mútua entre purificação da nossa dimensão física e deleite na nossa natureza absoluta e divina.
Este é o verdadeiro livre arbítrio, além da limitação da aparência linear.
Que linda afinação…
Ação e reflexão ressoando em reciprocidade para despertar a dimensão espiritual da nossa vida.
Sintonizemos os pensamentos mais elevados para que a mente reflita o nosso propósito maior e a nossa vida, as melhores oportunidades.
Bem hajas pela tua visita e pelo teu interesse.
Esta newsletter é dedicada a ti!


