Na cerimónia dos dias, a ressurreição da Presença

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Estes têm sido dias de preces, de silêncio e meditação, de contemplação, de serviço, de amor, de coragem, de medo, de reverência, de estados de consciência alterada e de confusão.

Têm sido dias de lições de liderança, de responsabilidade, de integridade e organização. Dias de
resgatar o sentido do sagrado, o relacionamento com a natureza, a conexão com o Ser Humano, dias para permitir ao espírito habitar-nos.

O que vejo aqui é a ressurreição da saúde e do potencial de prosperidade da vida.  

A libertação do confinamento e isolamento da consciência no corpo ou na mente.

A comunhão com o espirito, ao serviço da humanidade.

Vejo a vibração do amor a despertar nos nossos corações e transformando os nossos corpos em verdadeiros santuários de devoção ao poder criador.

Lidamos com os aspetos físicos e biológicos de uma pandemia, mas de facto, damos à luz um renovado senso de propósito, uma nova visão, uma reconciliação com aquilo que é comum a todos, a imortalidade da alma e da energia.

Não estamos apenas a ter a oportunidade de reconhecer quem somos, mas também de aprendermos a Ser Humanos em conexão com o divino, com a fonte.

Aprender a ser Humano é aprender a manifestar o divino.

A nossa humanidade é o veículo do espírito.

Precisamos de coragem para criar uma relação honesta com a experiência da vida.

O sucesso do propósito da vida torna-se disponível através das tempestades e das feridas.

Os nossos sentimentos de medo e fracasso proporcionam-nos as maiores oportunidades de aprendizagem, crescimento e mudança.

Esta não é a altura de procurar na superfície, o sentido de tudo isto. Nem é a altura de participar no mito da perfeição ou da justiça. É altura de reconhecer as nossas limitações e também as nossas forças, de reconhecer que a insatisfação e os sentimentos de fracasso ou desilusão nos colocam na jornada do sucesso.

O que vejo disseminar-se é a nossa Presença no coração eterno da vida.

A ‘necessidade’ da doença ou da adversidade têm uma relação muito dinâmica com o potencial criador de vida e com a saúde. Não podemos ignorar uma em relação à outra, tal como não dissociamos o dia da noite.

O medo e a ansiedade vão manifestando-se através da raiva, das lágrimas, de lamentações, desistências, adiamentos, de perguntas intermináveis, de negações e muitas outras manifestações de emoções humanas. Esta dor e sofrimento incluem hostilidades explícitas  ou secretas.

Mas este é um encontro com a nossa Humanidade.

Esta é uma oportunidade de largar velhos padrões limitativos que nos distanciam do fluxo da vida, e nos mantém reféns de uma segurança ilusória.

Podemos realmente parar e participar na cerimónia dos dias presenciando a vida e o bem-estar a desabrocharem à nossa frente e em nós.

O distanciamento pode transformar-se em Presença.

Não precisamos justificar o medo, a ansiedade ou culpar nada nem ninguém, porque o verdadeiro Presente, esse não pertence ao tempo, é insubstancial.

O verdadeiro Presente é a Presença que observa os acontecimentos, sem se alterar com o tempo.

Habita a Presença, não o Presente.

O presente não é um lugar entre o passado e o futuro, mas a continua expressão da Presença.

Hoje reconhecemos mais do que nunca que tudo está ligado, mas mais do que isso reconhecemos que somos tudo isso, que percecionamos.

Esta é a Presença que testemunha todos os nossos pensamentos, todos os nossos empreendimentos e decisões como eventos cósmicos que acontecem através de nós, tal como acontecem a chuva, o vento e as estações.

A prosperidade manifesta-se em movimento.

A Presença, não tem forma e não se move, embora permeie todas as estações da vida.

Esta presença não precisa que tentemos ancorar-nos no presente, porque ele próprio é efémero, mas que abracemos o presente como a experiência da Presença nos acontecimentos.

A forma, ou a aparência em que vivemos não é a realidade e a realidade nunca aparece, por isso a realidade não pode ser revelada pelos sentidos ou pela extensão mental do nosso conhecimento baseado em imagens e qualidades.

Qualquer imagem da Presença é irreal porque a Presença é além do tempo e do espaço.

Qualquer imagem é uma limitação constantemente ligada a oscilações entre prazer e dôr, alegria e tristeza, nascimento e morte, em constante movimento.

Isto não desvaloriza o mundo externo. Apenas o aceita como é. Qualquer imagem é como um símbolo, um passe de magia com a sua beleza, que dura algum tempo, mas padece de irrealidade.

É tempo de inspirar esperança, de dar com o coração, de colocar o ego de lado e partilhar decisões. O amor regressa em gratidão. A imagem da tristeza que sentimos agora, desperta o nosso coração e a capacidade de doar amor.

Só através da partilha conseguimos ver que o problema e o nosso potencial convergem.

As nossas decisões são convergentes com a sua fonte.

A fonte é a mesma em cada evento, embora se expresse através da diferença. Acreditar que somos o corpo, sentir que somos o corpo é uma crença irracional.

Basta de escondermo-nos do poder criador porque em qualquer estação da nossa vida, onde quer que estejamos, ali está ele!

Somos a bênção e somos abençoados.

A experiência destes dias é o entendimento de que a Presença em tudo, é livre de qualquer atributo ou detalhe, não é individual nem universal, não tem côr nem extensão no tempo e espaço. Isso são atributos dos objetos dos sentidos, não da Presença.

Compreender a Presença é uma experiência, não é a imagem de algo.

Manifestar o que desejo não é mais do que largar a lente que impede o alinhamento do poder da  vontade com a vontade divina, o poder criador.

Em vez de olharmos para a imagem e vermos uma pandemia, podemos olhar e vê-la apenas como um símbolo da Presença que aguarda o nosso renascimento, que aguarda pelas nossas antenas sintonizando sem distorções a linguagem da comunhão e da integridade.

Quando despimos todos os eventos dos seus atributos, a nossa mente já não sabe o que é!

Resta-nos a  experiência direta da existência. Presença é Ser.

Quando a tua Presença não se confunde com qualquer atributo além da existência:

És livre.

Esta newsletter é dedicada a ti!

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4 Comments

  1. Teresa diz:

    Obrigada ??

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