Da repetição involuntária da fantasia ao poder da sinergia

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Nos dias de hoje vivemos a oportunidade de refletir honestamente, mas até a honestidade precisamos desconstruir.

Normalmente refletimos à luz dos nossos valores que nos são tão queridos, sem notarmos por vezes que são esses mesmos valores que nos desafiam.

A maioria das vezes, perante o desafio, preferimos ajustar os nossos valores para nos sentirmos os eleitos protegidos.

Mas as leis da natureza encarregam-se de equilibrar a nossa experiência  positiva e negativa, independentemente dos nossos valores.

Se vivemos na fantasia de que a natureza apenas vai apoiar os nossos valores mais elevados, vamos ser desafiados a investigar a raíz desses princípios ou valores.

O negativo vai sempre emergir para quebrar a fantasia dos nossos principios e trazer o equilibrio.

Quando entendermos as leis da natureza, podemos neutralizar esta fantasia e focar-nos na sinergia de tudo.

Podemos abandonar a constante manipulação das coisas para proteger a nossa identidade, e parar de gastar a nossa energia  para resistir ao inevitável.

Uma perceção neutra é uma perceção menos limitada e mais capacitada para apreciar o que a vida traz.

Ambas, a sensação de plenitude e a sensação de separação correm nas nossas veias, habitam os nossos ossos.

Para neutralizar a repetição involuntária das fantasias que insistimos em impôr-nos, a nossa auto-imagem deve desenraizar-se não só do drama, mas também dos valores que nos são tão queridos.

A identificação emocional com as feridas, priva-nos não só do nosso valor mas também da manifestação do nosso potencial.

A identificação vem dos nossos valores, e dos valores coletivos, que criam os padrões de vitima, de não merecimento e estabelecem a meta irreal de proteção, de justiça, simplesmente para continuarmos alinhados com o trauma e continuarmos a rejeitar a dor e o sofrimento.

Ao deixarmos de participar no mesmo drama, deixamos de projetar o mesmo palco.

Isto não significa que a dôr é empurrada para o fundo. Significa que é acolhida para podermos descansar, significa que os valores mais elevados já não motivam a repetição da mesma experiênca com que não conseguimos lidar.

Porque vimos a benção, conseguimos abençoar o momento e transformá-lo.

Mas descansar não significa parar de respirar. Nós sabemos a diferença entre evitar e seguir em frente.

Mais tarde é Agora! Quando o negamos nada decorre a nosso favor e enlouquecemos.

Só quando fazemos algo novo e diferente, conseguimos ver como as crenças sobre nós próprios são irreais.

É o caos que cria a maior evolução, que gatilha a mudança sem precedentes da frequência que emitimos.

Quando culpamos alguém ou alguma situação perdemos o poder de sermos criativos e o poder de descobrir as sincronicidades da vida.

Nas mais diversas áreas, falamos muito em neutralidade, mas preferimos o doce em vez do amargo.

Falamos em neutralizar o ph do nosso corpo com comida adequada, em neutralizar a nossa mente com pensamentos positivos, mas esquecemo-nos de alimentar a coerência, e o alinhamento com a nossa natureza essencial, para neutralizar a nossa resistência à mudança.

A necessidade de neutralizar um ambiente, não significa que haverão apenas qualidades positivas, mas sim que ambas as polaridades são vividas, em complementaridade para que cada célula continue a co-criar a vida, e a expressar de forma única a totalidade.

E eis-nos aqui!

Porque na presença dos valores mais elevados, insistimos em repetir a toxicidade, fomos obrigados a parar.

Porque o nosso estilo de vida enfraqueceu de forma crítica, não só o nosso sistema imunitário, mas também a nossa mãe terra, somos obrigados a reinventar a forma como empoderamos a nossa saúde fisica, mental e espritual, a forma como co-criamos os nossos recursos, valor, riqueza e tempo.

Mudar a nossa frequencia, transformar os nossos pensamentos torna-se essencial para emanarmos algo diferente na mente coletiva.

Podemos plantar uma nova semente Agora!

A dualidade é a forma de auto-opressão mais forte.

Ao fim dos dias tudo é o adequado se tudo o que foi feito, foi emanar a nossa essência.

Esta não é a imagem da positividade, mas da neutralidade, que olha para a sua propria essência, através de Si.

É este olhar que nos conecta não aos valores do tempo e do espaço, mas à condução mais elevada que regula a nossa existência.

As nossas crenças, valores, padrões e conhecimentos, fundamentam-se em experiências passadas enraizadas profundamente no nosso inconsciente.

Positividade é diferente de neutralidade, porque a neutralidade não exige esforço.

Mas a energia da neutralidade não é passiva.

Pelo contrário ela é um poder criativo ativo, essencial para a prosperidade da vida.

Desafio-te a neutralizares a fantasia sem limitares o universo aos teus valores, ao triangulo do dominio, da vitima ou do salvador.

Ainda que tudo te queira obrigar a tomar um partido, desafio-te a encontrares o espaço ilimitado que inclui os dois lados e te mantem em contato com a criatividade e a possibilidade da paz em cada situação.

Desafio-te a procurares que valor tão querido estás a perseguir, sempre que a vida de traz um desafio a que resistes.

Ambos, a totalidade e o particular existem em nós em simultaneo.

O que cria o desequilibrio não são os desafios que ameaçam os nossos valores. O que cria o desequilibrio é a projeção de um mundo dividido numa mente coletiva.

Ainda que tudo pareça separado e em competição entre si, desejo que uma nova linguagem esteja a emergir em cada um de nós, uma linguagem multidimensional, além do individual, além do coletivo, uma nova era da vida na terra em que a dualidade não seja perpetuada pela propria necessidade de demonstrar a não-dualidade.

Entretanto, que possamos acolher todas as coisas, de forma a que o amargo não seja tão rejeitado nem o doce tão desejado. Porque a positividade precisa de profundidade, de contexto, de sabor, de fragância, de contato, e essa é a conexão por que todos almejamos.

Assim seja.

Esta newsletter é dedicada a ti!

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2 Comments

  1. Teresa Gonçalves diz:

    Grata querida Darshana!
    Abraço
    Teresa

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