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Os opostos são um tema recorrente nos meus posts porque sim, nós percecionamos tudo por oposição a algo. É normal é uma função da estrutura dos nossos sentidos e da nossa mente. O sim e o não, a pergunta e a resposta, a possibilidade e a conclusão, a dúvida e o pressuposto, o dia e a noite, o interior e o exterior, o calor e o frio, o branco e o negro, o yin e yang, oriente e ocidente, direita e esquerda, eu e tu, o céu e a terra, até o nosso mecanismo de lutar ou fugir, e por aí afora. Vivemos constantemente entre opostos de sensações, opostos de emoções.

Enquanto definimos o mundo, distinguindo cada coisa, e dividimos cada coisa em dois contrários para  determinarmos o que é mais real, falhamos em ver a aliança.

Enquanto aparentemente os opostos se assemelham a rivais numa batalha, competindo em vez de colaborar, nós acumulamos fugazes vitórias e desperdiçamos o encontro, a cerimónia, a dança, o sucesso sustentável.

Nós somos um, mas não somos os únicos. Não precisamos amar ou odiar para dar sentido ao movimento da vida.

Guiamo-nos por conclusões que se baseiam em hábitos de sobrevivência, mas a nossa tendência interna é libertar-nos da separação para de novo nos fundirmos no Um. Então porque tememos tanto a transição?

Não comeces nada de conclusões. A vida não é tanto sobre conclusões mas sobre dizer sim, não por oposição ao não, mas porque o sim é favorável à criação, à transformação e à dissolução.

A vida não é tanto sobre escolher, embora a direção da nossa vida seja o resultado daquilo em que nos conseguimos focar honestamente. É que por vezes escolhemos o nosso foco, mas no inconsciente vivemos a batalha do certo ou errado, do ganho e da perda, do justo ou injusto, do moral ou imoral, à procura do castigo ou da recompensa em tudo.

A tensão é percursora de expansão e até de libertação. Explorar os opostos, senti-los em simultâneo pode de facto ser uma prática produtiva, aliás é uma prática comum no Yoganidrá, aquela parte da aula em que dedicamos a relaxar para aceitarmos  e integrarmos aquilo que num estado de vigilia do dia a dia, não consideraríamos. Como a inteligência natural dos nossos corpos procura um equilíbrio constante, nesta prática de yoganidrá nós estimulamos circuitos que num estado de vígilia não trabalhariam em simultâneo e promovemos novas conexões destes encontros. Promovemos a tendência para o equilíbrio, neutralizamos alguns gatilhos,  não como forma de controlar, mas como forma de facilitar a saúde física, mental e emocional.

Remover os antagonismos da nossa vida não é erradicar a tensão entre os opostos, mas largar as expetativas e suposições sobre o que nos trará o que escolhemos.

Todas as partes participam. O que precisamos não é de harmonia no sentido de tréguas, mas de reconhecimento.

Se podemos reconhecer a contribuição de tudo, porque havemos de tentar suprimir as contradições como se fossem uma ameaça?

Quando aceitarmos a complementaridade dos opostos, a vontade divina alinha-se com a vontade individual. O verdadeiro equilíbrio emerge.

Então porque vivemos a vida como se ela estivesse ainda para chegar? Sempre à espera do fim da luta.

O que aceitamos como realidade abraça os opostos porque é a unidade que manifesta todas as coisas.

A unidade é o sim incondicional.

Os opostos são na realidade da mesma natureza, a única coisa que existe é a relação entre eles que nunca começa e nunca acaba, que nunca chega e nunca parte.

Não precisamos interpretar ou comparar, porque de fato somos veículos de energia, a própria energia.

O nosso sucesso depende da forma como possibilitamos o encontro entre os dois polos e aceitamos a transição.

Aquele que vê, pode sentar-se confortavelmente na presença dos opostos. Não precisamos de algo que nos salve dos padrões da polaridade, precisamos sim de reconhecer que nenhum dos polos por si, isolado, nos liberta da prisão em que muitas vezes vivemos.

Neste oceano cósmico de bondade amorosa, nesta mente por natureza transparente, podemos testemunhar os pares de opostos como filamentos que vibram, cada um dançando com o seu par num continuo que não encontra oposição, mas unidade, surgindo e dissolvendo-se a cada momento.

Ver com clareza além dos opostos é a verdadeira revolução. Nesta revolução, nenhuma batalha é necessária.

Para termos uma visão clara, não precisamos ser contra ou a favor de nada. Precisamos sim, cultivar uma presença favorável.

Neste mundo de espelhos, ver além dos opostos é a verdadeira revolução.

O que aparece como oposto torna-te completo.

Nem precisamos julgar ou competir. Neste caldo energético, neste campo de energia cuja circunferência é ilimitada, qualquer ponto pode ser o centro.

Não precisamos viajar para um reino acima de nós. A nossa presença é necessária aqui no nosso corpo.

Em cada um de nós está o mistério que permeia tudo.

“Estamos todos a ser cozinhados neste caldo” Paul Levy

 

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Do Antagonismo à verdadeira Revolução
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