A nossa força interior (virya) devia ser um ato de amor sem esforço e refletir a liberdade da Alma na nossa vida. No entanto, tantas vezes, refém da força do hábito, reforça uma batalha de sobrevivência, fundamentada por padrões inconscientes que se repetem para validar a nossa identidade.
Trava-se uma batalha entre a força interior e a força do hábito, quando todos os recursos são dirigidos para suprimir ou evitar partes desconfortáveis da realidade e emoções incómodas.
Se formos radicalmente honestos, compreendemos que, até os hábitos mais positivos, até os melhores planos e as melhores intenções, são dirigidos para reduzir todas as possibilidades aos hábitos e crenças limitativos, como uma confirmação de controlo. É então que a nossa força interior se transforma em resistência. Resistência às sincronicidades que nos ligam e aos imprevistos que invocam a nossa expansão e respondem ao nosso desejo de mudar.
O nosso desejo de mudar e de melhorar esbarra na batalha para criar e conservar uma identidade irrefutável que nos permita sentir seguros. Confundimos os limites da nossa identidade com as barreiras que erguemos, e criamos um conflito que nos isola e nos impede de estabelecer uma relação de confiança com a vida.
A disciplina nos nossos planos torna-se frequentemente um meio para impor a ilusão de controlo, quando devia ser um ato de clareza e conexão.
A mudança não está na repetição consecutiva dos mesmos padrões, mas na decisão clara de que não precisamos mais desta ou daquela experiência para sermos a melhor versão de nós mesmos.
O ato de mudar corresponde a parar de discutir com a realidade, corresponde a expandir todos os aspetos da nossa vida até à vibração da nossa Alma.
A falta de auto-confiança que nos mantém reféns da força do hábito, não é ausência de segurança, mas a incapacidade de estar dentro da nossa pele e aceitar as dúvidas e as incertezas.
Inconscientemente, o poder está sempre associado a dominar e transcender dificuldades, mas
A contemplação é superior ao poder. A contemplação coloca-nos no timing certo, que é o Agora.
Quando realmente nos permitimos contemplar os eventos, as dúvidas, e os desafios, o que se revela, são duas forças complementares, colaborando para trazer um efeito. E nós pela força do hábito, ocupamo-nos a criar distância entre dois lados, incapazes de convergir.
O poder não é resultado do esforço para dominar.
O poder é o resultado de entregar para expandir a nossa força interior até ao absoluto, sem interrupção, sem distinção.
A força interior deve ser dirigida para refletir o poder do absoluto, não o poder individual. Só assim todos os medos falsos desaparecem.
Qualquer hábito de auto preservação leva todos os recursos à exaustão.
Libertamos a nossa força interior, não pelo esforço, mas pelo foco e clareza.
O poder interior não é uma força que usamos para resistir, mas para sermos flexíveis.
Apenas nesta fluidez, quando algo nos quebra, nasce um poder de vontade que não necessita alcançar nada nem defender nada, uma força que não é usada para fugir ou confrontar, mas para entregar e confiar. Os olhos transcendem a forma e os ouvidos sintonizam a sinfonia da vida.
Não são as metas alcançadas, não é a força interior, habitualmente reativa, que vai resolver o puzzle da vida, mas a capacidade de parar e resolver a repetição dos padrões inconscientes. A resposta certa é aquela que nos escolta até ao silêncio e que, revelando o propósito, mantém a integridade da nossa força interior.
O mundo não é um reflexo do que dizemos, mas do que nos permitimos sentir.
Precisamos de sensibilidade. Amor, compaixão e perdão são os poderes que nos permitem dissolver os padrões limitativos.
Integra a tua biologia, integra a tua humanidade, integra a tua natureza social e inclui todos os cenários.
Não rejeites as tuas necessidades, não te fragmentes por vergonha, insegurança ou ilusão de não merecimento.
O universo sussura: Somos a fusão das polaridades.
Compaixão e entrega são tão importantes como a força interior da nossa vontade. A compaixão é mesmo a fundação da verdadeira disciplina, e a visão do quadro maior nos nossos planos.
Só avançamos quando nos conectamos, não quando nos fracionamos. Não abandones parte nenhuma de ti.
Libertar-nos dos velhos padrões fortalece a nossa força interior.
Nutre a tua força interior com as preces mais profundas. Na contemplação mais abstrata está o milagre da Vida.
Aqui está uma sugestão:
– Começa por abrandar e abandonar as tuas características físicas mais externas, o peso, a altura, a côr dos olhos, etc.
– Depois, procura libertar as tuas crenças, preferências e aversões.
– Abandona o teu nome, a tua idade e quem pensas que és.
Contempla o que acontece se abandonares as condições do momento e te sintonizares com a existência abstrata?
O que acontece se ancorares a tua atenção na energia que permeia tudo, naquilo que permanece ao meio da alternância?
Sempre que expandimos a nossa perspetiva para reconhecer o magnífico milagre da vida, isso pode ajudar-nos a valorizar-nos e à nossa vida e a libertar-nos da autoimportância que nos aprisiona.
Seja qual for a nossa escolha, a vida faz-nos constantemente um convite para viver em harmonia, por dentro e por fora.
A vida é sabedoria. A força é consciência.
1.23 īśvarapraṇidhānādvā (Yoga Sutra de Patañjali)
Entrega ao princípio criador, não pelos frutos das ações, mas pela consagração da própria existência à flor da vida. Entrega da ilusão de controlo. Entrega da identificação com os resultados.
A arte de conectar cada evento à fonte, pode ser a nova semente, o novo sankalpa ou intenção.
Podemos invocar este princípio criador através da Silaba Om, para libertar a criatividade em nós e realmente participarmos na cura do que padecemos. Padecemos do efémero e do finito. Aquilo de que padecemos é da separação entre ambos. A cura é a capacidade de instalarmo-nos numa continuidade especial que não é poder nem controlo, que não é enumeração nem distinção, que não é ignorar nem suprimir, mas um momentum livre de sucesso ou fracasso, o eterno presente, um lugar de devoção e gratidão sem tradução.
Esta newsletter é dedicada a ti!


