Cara a cara com o Infinito. Julga menos. Ama mais.

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É um desafio escrever sobre julgamento sem referir o ego, mas na realidade o ego não quer julgar. O ego quer ser. Quer ser amado, aprovado, apreciado.

O ego é profundamente inseguro, acredita numa identidade separada do universo. Ele só existe ao nível do pensamento. A identidade que emerge ao nível do pensamento, permanece profundamente isolada, em modo de crise, intolerante ao temporário, sem compreender que o intervalo entre os corpos não é o que os separa, mas o que lhes permite pulsar de presente em presente.

Fisicamente podemos ser corpos separados, mas não somos eventos isolados. Enquanto nos relacionarmos, o mundo existe.

O julgamento só existe enquanto persiste a ilusão sobre a natureza do ser.

O ego é apenas uma estrutura do pensamento em que nos enredamos. Distinguimos, mas não conseguimos separar.

A identidade que nos esforçamos por manter no tempo torna-se um fardo porque precisamos constantemente de validá-la por comparação. Profundamente desconectados da luz que reforça a unidade e está presente em tudo, não temos um sentido de pertença, porque só conseguimos ver o bom em comparação com o mau, e isso é o que provoca o julgamento, a culpa, o medo e a necessidade de controlar.

Todos queremos entender o propósito da vida, as ramificações dos nossos samskaras, e ninguém quer desperdiçar a oportunidade de Ser uma bênção, sem culpas, medos ou julgamentos.

Julgar é uma habilidade natural, intrínseca à nossa estrutura de sobrevivência, numa realidade em constante mudança.

Devido à natureza impermanente das circunstâncias, julgar torna-se um ato compulsivo da mente, limitada por opiniões, apegos e aversões, porque nunca nos encontramos onde somos.

Agarrada à sua identidade, a mente julga que sabe tudo, acabando por colapsar na complexidade do seu conteúdo, que é uma semente de ignorância.

Neste ambiente, a identidade desconectada do princípio criador, vive em modo de defesa, experiência a vida como uma ameaça, procura segurança, controlo, merecimento. Este fardo só cai, quando experimentamos a conexão com o infinito.

O ego não é a individualidade. A individualidade é a expressão única do infinito sem forma, em cada um de nós. Quando percebemos isso não precisamos de nos sentir merecedores, nem de sentir que pertencemos, porque não estamos isolados. A conexão é o antídoto para o sofrimento causado pelo ego.

Toda esta desconstrução pede discernimento.

Mas como distinguimos discernimento de julgamento?

Ambos podem dizer o mesmo, mas o discernimento não é uma reação porque não se baseia em medições e comparações. O discernimento conhece o poder do diálogo mental e sabe que medir e comparar é das piores conversas que podemos ter connosco porque não conseguimos ver as condições da mente (as crenças e valores), nem tão pouco o fluxo natural das coisas.

No julgamento há uma opinião e uma forte identificação como uma conclusão que precisa ser confirmada em todas as circunstâncias. No discernimento permanecemos livres para aceitar positivo e negativo entrelaçados em tudo.

Também existem julgamentos positivos claro, mas são sempre rígidos. A aversão vai estar sempre ao virar da esquina porque um julgamento mesmo que positivo não quer ser questionado. Se o fôr, a mente julgadora não o aceita. A aversão está implícita.

O discernimento inclui sempre uma recetividade baseada na humildade, o potencial de transcender a distância e a diferença. A mente flui em equanimidade e por isso é uma semente de generosidade, compaixão e tolerância.

Quando conseguimos desviar o foco, dos pensamentos, para a natureza transparente da mente, caminhamos como testemunhas pelo tempo, sem nunca saír do presente.

O discernimento não é nenhum tipo de moralidade para julgar o julgamento.

Quando predomina o discernimento, não existe apego, não existe medida ou comparação, nada fica escondido ou preso dentro da gaveta. Somos o universo a olhar para si próprio de diferentes pontos de vista. Existe uma conexão profunda com a mente cósmica. As coisas acontecem através de nós, não porque argumentamos, mas porque largamos as crenças passivas que mantém a identidade separada.

Não transcendemos o julgamento argumentando, mas amando-nos mais.

Cada encontro é um encontro cara a cara com o infinito.

Cara a cara, momento a momento podemos aferir o poder de separação do julgamento, transferindo o foco, do conteúdo mental para o sujeito, até o sujeito se tornar o objeto da atenção. Aqui permanecemos testemunhas das tendências da mente e reconhecemos o valor da unidade. Ativo e recetivo, yang e yin caminham juntos, sem nenhuma relação de conflito.

Quando uma onda se ergue, é o oceano inteiro que se expressa.

Todo o julgamento é um julgamento de si mesmo, incapaz de nos descrever. 

A verdade é subtil, porque não se conhece por oposição a nada, ela é reconhecida em silêncio, para nos orientarmos sem precisarmos de corrigir nada nem ninguém porque distinguimos com clareza o eterno do temporal.

A justiça existe sem julgamento, é um movimento além dos pontos de vista. A justiça é a união do propósito divino com a intenção profunda e coletiva de sair da separação, o compromisso com a verdade.

Vivemos um momento na terra em que precisamos retirar o julgamento das nossas vidas e escolher cooperar. A questão que se coloca não é como gerir conflitos, mas o quanto conseguimos amar-nos e apreciar-nos.

Apenas quando todos os muros caírem, veremos todas as possibilidades.

Apenas quando purgarmos todos os pensamentos ilusórios sobre este mundo transitório, experimentaremos a realidade como é, sem que os nossos olhos excluam a fundação de toda a existência.

Já não nos podemos dar ao luxo de apenas reagir.

“Entre o certo e o errado, existe um espaço. Encontramo-nos lá.” Rumi

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