Shiva Ratri é a noite mística de Shiva, a escuridão que simboliza vairagya, a libertação da consciência da exterioridade, conceito muitas vezes confundido com renúncia no sentido material.
Ninguém pode renunciar a nada, porque tudo neste mundo está conectado com tudo.
Então o que é Vairagya?
Vairagya não é renúncia a qualquer objeto; isso é impossível devido à natureza dos gunas presentes no mundo manifesto. Um corpo é atraído por outro. Uma mente é atraída por outra. Os gunas em nós são atraídos pelos gunas nos objetos. Tudo se relaciona entre si e connosco.
É a ilusão de que as coisas estão fora de nós, que faz com que nos apeguemos a elas. Esse falso apego é Raga, e a sua ausência é Viraga. A condição de Vi-raga é Vairagya. Esta consciência do Absoluto ou Deus é a forma mais elevada de Sabedoria, Shiva é por isso o repositório de Jnana.
A renúncia suprema nasce da realização do divino – não de frustração, ou de qualquer atitude de escape ou derrotismo, mas de uma compreensão da natureza das coisas, uma compreensão clara da natureza da vida e da sabedoria da existência na sua completude. Esta é a fonte de Vairagya, ou renúncia. Todos os desejos são silenciados e sublimados no Absoluto, não porque abdico de ter coisas, mas porque percebo a interconexão das coisas e a unidade de todos os propósitos na consciência.
Perante o absoluto, os sentidos derretem-se como manteiga no fogo. Tal como vários ‘ornamentos’ em ebulição, se tornam a mesma massa sólida de ouro, perante o absoluto, as energias dos sentidos fundem-se num continuum de universalidade.
Jnana e Vairagya são os fios condutores na simbologia de Shiva, que é adorado nesta noite especial, como o Ser Supremo, o Absoluto na sua condição primordial, a escuridão suprema antes da criação – um estado que aparece como escuridão, ou noite, onde não existe a exterioridade da perceção, nada fora de Si. Para Shiva não é noite, porque tudo é luz. Omnisciência, Omnipotência, Omnipresença. Às vezes, designamos essa condição como Ishvara.
Quando a frequência da luz é intensificada a um nível supremo, como por exemplo, a luz do sol, ela não pode ser vista pelos olhos físicos. Quando a frequência é reduzida e chega ao nível da estrutura da retina do olho, então podemos ver a luz. Existem vários tipos de luzes, várias intensidades ou frequências, e as frequências mais altas não são reconhecíveis pelos sentidos. Portanto, olhar para o Absoluto, é não ver nada.
O mundo é apenas um nome que damos a uma distorção criada na perceção da nossa consciência devido ao isolamento sujeito-objeto.
O mundo é a Consciência Cósmica. É a própria Divindade Suprema, revelada aqui na forma deste mundo.
A não objetividade é a escuridão de Shiva. O Absoluto, ou Shiva, é indivisível e incapaz de isolar partes de si. Não existe separação entre o que vê e o visto no processo de perceção, isso seria como dividir uma pessoa em duas partes, uma parte da sua personalidade observando outra parte de si. Seria como olhar para mim na minha frente, como se fosse outro, objetivando-me e alienando-me.
O movimento na direção dos objetos deve-se a uma afinidade inerente entre os sentidos e os objetos. Se ambos forem uma onda, essa afinidade é o próprio oceano.
Nada existe para si só, cada coisa existe para o todo. Quando finalmente compreendemos isso, compreendemos o poder criador através de nós e não desvirtuamos os objetos, a criação, para momentaneamente desfrutarmos da ilusão de sermos individuais e donos do que quer que seja. Quando finalmente compreendemos a essência universal, passamos a ser um veículo para o que quer manifestar-se através de nós.
A forma de brilharmos não é conhecermos algo para a partir daí dizermos que é assim e ponto final, e seguirmos culpando o que está na nossa frente porque não corresponde ao que conhecemos ou delimitámos. Sê grato, muda a tua filosofia!
Para os sentidos, a ausência de perceção é igual à escuridão da noite, mas na Consciência de Shiva, os sentidos e o intelecto voltam à sua fonte. Não existe atividade de perceção, por isso a ausência de perceção é comparada à presença da escuridão, que é de fato a maior iluminação da realidade. Fora disso o que vêmos são fragmentos. Rendermo-nos não é desistir, mas é finalmente ver a unidade. É Servir em vez de ajudar (ajudar implica diferenciar, e Shiva destrói essa ilusão). A ação deve ser uma consagração e não um meio para um fim individual.
O sacrifício (yajna) da individualidade é na realidade a sublimação da finitude até transcendermos a dualidade sujeito-objeto. Este é o desígnio cósmico, o de todos encontrarmos o divino em nós.
Ir ao zero é expandir ao infinito!
A nossa raiz é o espírito do cosmos, não um produto do pensamento.
O propósito do cosmos é designado em nós para expressarmos o Universal. Se percebermos isto, como pode alguma ação ser errada.
Quando conseguimos um fluxo continuo da nossa atenção no universal, esta continuidade aquieta a mente, que em contato com a nossa indestrutível e infinita essência nos permite libertar do karma. O Karma é assim em modo simples aquilo que com que nos identificamos consecutivamente.
Cantemos Shiva, o Adi Guru, o primeiro mestre, a base de infinitas possibilidades. Cantar Shiva é ir além do nome e da forma, é entrar em ressonância com o silêncio cósmico. Ele abraça e transcende a dualidade, ele é a consciência primordial, a essência do nosso ser – Atman ou Purusha. Shiva é a essência além da manifestação. Shiva é o prana imortal, a força eterna da existência, a fonte, a fragância e a graça da existência. Shiva é o auspicioso, mas também o destruidor, da ilusão do ego, capaz de cortar laços karmicos e transformar a consciência por meio da meditação.
Om Haum Joom Sah Namah Shivaya!
Experimenta!
Um Mantra especial de Shiva que eleva o prana e a consciência ao máximo potencial adequado. A sua vibração entrará na mente profunda até chegar aos padrões karmicos no nosso subconsciente, iluminando a escuridão mais recôndita e dissolvendo a energia emocional negativa colada às nossas memórias e experiências, de forma que a energia estrutural da nossa mente já não sustente tais repetições.
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