A energia do compromisso e o desejo de crescer

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A vida quer viver.

É a nossa natureza como seres vivos, sempre querer ser, existir, sobreviver, continuar. Por isso estamos sempre à procura de um caminho diferente?

Não temos essa perceção, mas nada realmente novo acontece, sem a habilidade de libertar profundamente a antítese sujeito – objeto, o paradoxo corpo – mente, a separação entre criação e criador.

Vivemos demasiado ocupados a preservar identidades onde não nos encontramos nunca, e falhamos em reconhecer esta habilidade.

Não temos essa perceção, mas quando algo novo surge, é a morte e a imortalidade que se encontram.

Associamos desafios a ameaças, sem encontrarmos ali um portal, uma oportunidade para deixar cair ideias, crenças, opiniões e condições para amar este mistério que faz abanar o próprio esqueleto que sustenta a separação entre a vida e a morte.

Para realmente crescermos o ego tem de ter uma tremenda coragem para ser capaz de renunciar à ilusória segurança de um casulo por algo tão inefável e vasto como a perspetiva da realização de um potencial ilimitado.

Procuramos inspiração para nos sentirmos motivados a quebrar barreiras, mas na realidade a inspiração está atrás dessas barreiras.

A meta separa-nos do que buscamos, porque fugimos da morte.

A meta separa-nos do que buscamos, porque temos medo da vida e das suas forças caóticas.

Tememos ser abanados e abandonados dentro das próprias barreiras que  erguemos para validar as nossas motivações.

Procurando resolver um problema que não existe, criamos um problema que nunca paramos de tentar resolver, porque vemos a meta sempre distante. Mas o nosso  corpo é o corpo da totalidade e este significado é vazio de conceitos, este significado vem antes da motivação.

Quanto mais rápido aprendermos a entregar esta confusão, menos resistência teremos no nosso caminho.

Quando percebemos que a nossa existência não é um fenómeno fixo, libertamo-nos dos limites que impomos ao nosso potencial infinito.

Compreendemos que não há necessidade de grandes mudanças externas para manifestar o nosso propósito. O que é necessário são muitas pequenas mudanças internas de abandono do complexo, e de regresso ao óbvio e simples, á essência amorosa e auspiciosa de tudo.

Abruptamente, seremos despojados da nossa crença ingénua –  o nosso pensamento positivo – de que continuar a tentar manipular a realidade, nos levará à meta.

Verdadeiramente, a meta é simplesmente o compromisso com a nossa natureza intemporal e com a fonte de todas as sementes, sem dramas, caminhando como um rio numa peregrinação da cabeça para o coração, da separação temporal e espacial para uma jornada expansiva de silêncio, livres de uma existência limitada por crenças.

A vida deixará de ser uma corrida complexa, porque aprendemos a inclinar-nos para o invisível e permitimos que a sua fragância nos envolva.

Enquanto morte e imortalidade dançam para além do tempo e do espaço, o sucesso depende mais do que largamos e menos do que acumulamos.

Largar a nossa lista de queixas e maldições, e agradecer o que temos, é essencial  para nos tornarmos verdadeiros templos da mãe divina na forma humana.

Fomos todos chamados a fazer uma pausa para que a nossa consciência possa abraçar a criatividade, para  permanecermos abertos e receptivos, confiantes e leais à verdade que quer permear as nossas lentes.

A prosperidade é no final das contas, sobre amar e ser esse fluxo contínuo de amor.

A prosperidade não é um troféu, mas uma nova visão.

O que queremos alcançar não pode nunca alimentar a nossa identidade.

O que queremos alcançar deve apenas afirmar o nosso compromisso com o que quer ser vivido através de nós.

A vida conspira para navegarmos a nossa vastidão.

E finalmente, quando começa a não ser o ego que alimenta o que queremos alcançar, vencemos o medo de ser deixados de fora do sucesso, porque a nossa perceção já não é a de uma existência separada da fonte de tudo, mas uma apreciação de cada passo dentro de um quadro maior.

A  vida é um reflexo da nossa essência que  alimenta a cabeça através do coração.

Neste anel chamado vida, somos cuidados e somos cuidadores. Somos inumeráveis e ilimitados surgindo do solo como flores.

O show é coletivo, mas começa em cada um de nós.

A responsabilidade é de cada um, de amar e cuidar, de ser um farol de luz, de fluir vivos, mesmo nos momentos em que parece difícil encontrar a motivação.

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