O conflito, a fricção, são a força motriz da evolução e da vida.
Recorrentemente sentimos oposição. A própria natureza da perceção humana pressupõe que todo o universo passível de ser observado esteja em oposição, externo à inteligência exclusiva e espontânea dos sentidos.
Mas na realidade, tudo o que existe tem uma natureza intrínseca inclusiva, e não de afastamento. O universo derrama a sua inclusão em cada coisa. O mundo inteiro é uma abstração desta inclusão.
Nada existe fora deste contexto de inclusão, tal como um órgão não sobrevive fora do corpo.
Ser único e unidade é o nosso contexto.
O Uni-Verso, como a palavra sugere, é um movimento de inclusão, onde tudo o que existe, vivo ou não vivo é Uno.
Uni-Verso. Um Verso que junta.
Mas quando realmente acreditamos na ideia de um conflito na nossa vida esquecemo-nos que não existem barreiras para derrubar, tudo acontece dentro, e a solução está dentro. E mesmo “dentro” é uma imagem.
Quando escolhemos separar ou polarizar para experimentarmos o mundo e a continuidade, devemos relembrar-nos que nunca estamos nem estaremos desagregados.
Precisamos desprender-nos da distância, para receber a energia que emerge dos fenómenos que chocam entre si e se ligam. Por meio do conflito, podemos encontrar a definição do nosso potencial.
Os obstáculos podem bloquear o nosso progresso ou podem libertar-nos.
A memória do passado ou a expetativa de um futuro inflexível não podem isolar-nos da abundância e da generosidade de comemorar o tempo sem forma e sem medida. Tudo existe além da nossa perceção.
Vir ao encontro, é o movimento do tempo na direção da eternidade, um movimento inseparável da nossa generosidade.
Nós podemos permitir que os opostos nos elevem a um nível superior de pensamento. Uma atitude aberta e recetiva transforma todos os obstáculos em oportunidades.
Os disfarces, as máscaras que adotamos para garantir que permanecemos distintos, é aquilo que nos mantém em exílio dentro da própria casa.
“A verdade não teme nada a não ser o disfarce.” – Provérbio chinês
O conflito oferece-nos uma oportunidade para vermos a verdade do que mantemos oculto, excluido.
Quando rejeitamos ou reprimimos algo em nós, é a uma parte de nós que retiramos a vitalidade, que retiramos do sei contexto.
O conflito é o que nos permite abençoar todas as partes que excluíamos e abraçá-las de novo no zero.
Não precisas de coragem nem de proteção, apenas da transparência que vê a essência, a profundidade e o conteúdo inseparáveis.
Tudo é único, uno e indivisível ao mesmo tempo, mas temos dificuldade em olhar-nos como uma força, a mesma energia materializada.
É dificil considerarmos todo o mundo manifesto, como um movimento global coeso.
Consideramos as partes isoladas movendo-se em frações, competindo entre si.
Mas na realidade tudo no mundo manifesto, incluindo pensamentos, sentimentos ou atitudes, são uma emanação da totalidade, a consciência de Si e ao mesmo tempo, o livre arbítrio em cada um de nós que nos vincula à subjetividade dos sentidos.
Por isso quando encontramos uma oposição, em vez de sentirmos que o universo é injusto, podemos transformar essa oposição numa bênção, porque a justiça não é nem uma negação, nem uma afirmação da vida.
É exatamente como ação e reação, são iguais e opostas, porque se baseiam numa lei unitária de equilíbrio mantido pelas forças da Natureza. A justiça é um princípio de integração envolvendo a universalidade e não a exclusão.
O propósito da justiça é a emergência da unidade no ser humano, um sinal de inclusão, de amor e reunião.
Tudo gravita para a mutualidade e cooperação. Podemos baixar as armas, podemos terminar a batalha entre o externo e o universal, entre o tempo e a eternidade.
Sê enquanto ages. Nunca te desconectes da fonte. Cria espaço para veres nos detalhes, a firmeza daquilo que escolhes iluminar. E lembra-te, tudo pode ser condutor de progresso e levar-te ao destino do que é incomparável.
Perdoa. A justiça é a expressão da unidade.
Somos fruto de uma árvore, folhas de um ramo. Tudo no mundo manifesto proclama a essência da regeneração! A árvore é a árvore da humildade.
Uma simples gota de água é tudo o que é necessário para amolecer o barro.
O simples ato de encontrar-nos sem comparar, sem julgar, sem competir é tudo o que é necessário para sintonizarmos o propósito, a revelação e a gratidão.
Cada um de nós é o alento da humanidade.
A discordância e a oposição estão em todo o lado, mas todos fomos moldados para a harmonia e a união, cujos pilares não são o castigo ou a recompensa, mas a contradição e a coerência.
Sem drama, sem moral, sem fricção, livre de conflito, o que iluminas é um movimento contínuo onde a vida e a morte estão incluídos, a equanimidade da criação.
Mantém-te conectado com a forma mais elevada de ti próprio, tu percecionas e projetas ao mesmo tempo. A ausência não contradiz a existência, apenas aguarda que Sejas.
A totalidade dança a sua luz através de ti. Tu escolhes como distribuis essa luz!
Escolhe o Centro, o lugar onde nenhuma contradição refuta a coerência da tua singularidade, porque tudo se move ao mesmo tempo, respeitando-se mutuamente.
Tudo está em aberto. Permite que a vida seja um espelho do propósito maior.
Ilusão e realização são o nosso Dharma. Não leves as contradições a sério, elas são a Poesia que faz rimar a coerência.
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