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Todos queremos liberdade, no entanto mantemos os nossos limites bem definidos, cultivando competições, adversários e rivais.

A liberdade vai permanecendo uma miragem enquanto não purificamos a perceção da forma, enquanto não agradecemos e acolhemos a vulnerabilidade, afinidade e paridade de todas as coisas.

Não confundas as pessoas à tua volta e as circunstâncias com inimizades. Elas são a tua oportunidade para purificares o coração e encarnares a gratidão no movimento e no ventre de cada criação.

Estamos habituados a experimentar vulnerabilidade apenas quando atravessamos um ‘breakdown’, uma doença, uma perda ou outra adversidade.

Mas na realidade a vulnerabilidade é a liberdade em si, o ventre e o movimento no sentido de pertença e coragem, de amor e alegria, de empatia e criatividade.

Quando recusamos a vulnerabilidade, somos arrastados para a insegurança para um lugar fora do presente onde vestimos armaduras. Na incerteza de conseguirmos manter essas armaduras, elas pesam como ansiedade e medo de aparecermos vulneráveis.

As máscaras que nos impedem de ser autênticos, podem dar-nos alguma sensação de controlo. Entendemos controlo como liberdade, e forçamo-nos esta identidade insustentável, diria mesmo auto-destrutiva. Na tentativa de controlo, toda a criatividade do momento é canalizada para a preocupação e para a proteção.

Quando não estamos perdidos na tentativa de reconstruir incessantemente as nossas armaduras, e momento a momento, permanecemos recetivos, o sabor da vulnerabilidade é o sabor da verdadeira liberdade. É o sabor do próprio coração desprotegido, Real, Requintado. A ironia é que, quando realmente aceitamos a vulnerabilidade, ela já não é vulnerabilidade. Porque o que torna a vulnerabilidade dolorosa não é despir a armadura, mas invocar e antecipar o sofrimento nesse movimento.

Em realidade nada nos pode ferir, o que pode ser dilacerado, são as nossas armaduras e os nossos conceitos  sobre tudo.

Aquilo que realmente nos separa de onde queremos estar é a nossa atenção, não o que sabemos nem o que não sabemos.

“O que procuramos, procura-nos”. Se procuramos proteger-nos do caos, experimentaremos o caos até a atenção não encontrar mais nenhuma ameaça!

A vulnerabilidade não é um risco que corremos ou uma ameaça que enfrentamos, mas o potencial para mover montanhas. A montanha pode parecer intransponível, mas ela não se interessa pelas tuas armaduras, ela apenas te reconhece ‘nú’ como ela. Nessa afinidade e paridade somos o movimento e o ventre.

A vulnerabilidade é a ponte que permite o oposto, porque sem armaduras, o oposto pode libertar-nos, pode mover-nos, pode até amar-nos, pode revelar a honestidade mais radical que nos transforma, que nos expande. Esta força que move montanhas é a mesma força que provoca terramotos revelando a vulnerabilidade de tudo. A força que faz as ondas no oceano, é a mesma força que molda as rochas à beira-mar, despindo as mais complexas armaduras.

É importante finalmente percebermos que aquilo a que tentamos resistir não é a vulnerabilidade, mas tudo o que ameaça a armadura da nossa identidade, por isso tantas vezes nos enfrentamos e tantas vezes nos sentimos derrotados, porque confundimos a vulnerabilidade com uma ameaça.

Reconhecer cada novo momento/movimento como uma nova oportunidade, desfaz o medo do fracasso. O sucesso não é um rio distante, porque nós somos o rio e nada podemos fazer contra isso. Não precisamos empurrar o rio, ele simplesmente flui. Permite que te carregue, te transporte sem nenhuma ‘checklist’ de proibições ou exigências.

O sucesso É, para aqueles que se deixam tocar, para aqueles que navegam as suas águas e dançam com a vida, para aqueles que se comunicam confiáveis e leais à sua natureza. No sucesso não existe vitória ou fracasso, apenas a coragem de aparecer vulnerável, sem condições e sem julgamentos.

A empatia e a vulnerabilidade farão de ti um herói.

Qualquer objetivo, é uma meta em movimento. Não saber o que é permanente é o que nos mantém longe de qualquer meta, não saber o que é eterno é o verdadeiro desastre.

Evoluímos mais quando conseguimos relaxar na nossa vulnerabilidade autêntica, do que quando nos preparamos minuciosamente para o confronto. Vulneráveis, livres de armaduras, conseguimos permanecer despertos, conectados com o nosso poder, sem precisar resistir a nenhuma tempestade.

É a ausência de armaduras, o espaço infinito do ventre que permite o movimento e a transformação. A vulnerabilidade é força, quando em cada dia deixamos caír cada barreira, uma a uma.

Esta é a arte de participar em vez de interferir. Podemos pensar que somos os autores do sucesso, mas na realidade, é o movimento da nossa atenção na direção das sincronicidades que nos faz prosperar. 

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1 Comment

  1. Maria Teresa Gonçalves diz:

    Obrigada, linda, pelas reflexões!

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Ser o ventre e ser o movimento
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